domingo, 13 de agosto de 2017

Festa Literária da Serra Imperial acontece de 30 de agosto a 02 de setembro em Petrópolis, RJ



De 30 de agosto a 02 de setembro, o Museu Imperial, unidade do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura, recebe a 2° Edição da Festa Literária da Serra Imperial, a FLISI, idealizada pelo Instituto Oldemburg de Desenvolvimento. Este ano a Festa percorrerá diversos espaços culturais da cidade como o Centro de Cultura Raul de Leoni, a Casa da Educação Visconde de Mauá e a Casa Stefan Zweig.

Como aconteceu na  sua 1ª edição, a Festa Literária da Serra Imperial continuará focada no tema “Memória” e contará com a presença de autores reconhecidos nacionalmente, como Ruy Castro, Heloisa Seixas, Clóvis Bulcão, entre outros.  A curadoria da FLISI é de Cristina Oldemburg e de Guiomar de Grammont, coordenadora do Fórum das Letras de Ouro Preto e professora da Universidade Federal de Ouro Preto. As curadoras reuniram um time de peso, celebrando o universo da literatura, da história, da memória e das artes durante os quatro dias do evento.  Aliás, uma característica da FLISI é justamente a de não se restringir ao universo das letras, ampliando a percepção do público para as férteis relações da literatura com outras formas de comunicação.

Este ano o homenageado da Festa será Machado de Assis, celebrando os 120 anos da Academia Brasileira de Letras. O imortal Antonio Carlos Secchin abre a noite, no dia 30 de agosto, às 19h, no Cine Teatro Museu Imperial, com a palestra “Traindo a Tradição: Machado de Assis e Dom Casmurro”, onde serão apresentados os principais argumentos “contra” e a “a favor” de Capitu ao longo do tempo.. Além da palestra, será inaugurada a exposição "A Serra Imperial de Machado de Assis e seus melhores poemas" com fotos do acervo da Biblioteca Nacional associadas às poesias do grande escritor. Às 20:30h, Secchin participará de sessão de autógrafos.

Dentro das comemorações do centenário de  Antônio Callado, o escritor  será homenageado na FLISI com a inauguração de uma Sala de Leitura, com 1000 livros novos, na Casa da Educação Visconde de Mauá e com a  exposição "Quarup", que revive o mágico romance sobre os índios do Xingu. Também na Casa da Educação, a Festa Literária homenageará o educador Paulo Freire, que revolucionou a pedagogia com seu método de despertar a consciência crítica dos alunos, onde será lançada a sua biografia com a presença esposa e autora - Nita Freire. 

No dia 01, o Instituto Oldemburg de Desenvolvimento lança, com exclusividade, o livro “Viagem ao Brasil”, que conta a história do austríaco Franz Joseph Frühbeck. Inspirado na publicação Franz Frühbeck’s Brazilian Journey, dos autores Robert Smith e Gilberto Ferrez, a obra, inédita, é uma crônica que retrata, através do olhar do jovem viajante Frühbeck, o dia a dia, os bastidores da viagem que ele fez a bordo do navio português D. João VI, onde viajava D. Leopoldina quando veio da Europa para se casar com D. Pedro I. Para falar sobre o livro, a Mesa: D. Leopoldina, princesa do Brasil, terá os seguintes convidados: o diretor do Museu Histórico Nacional, Paulo Knauss, a historiadora Maria Isabel Lenzi, o biógrafo Clóvis Bulcão, a doutora em história social Patrícia Souza Lima e a pesquisadora Claudia Maria Souza Costa.

Muito importante também será o lançamento do livro "Diário do Conde d'Eu". O historiador Rodrigo Goyena Soares descobriu o diário íntimo do Conde d´Eu, escrito de março de 1869 até abril de 1870, o último ano da Guerra do Paraguai. O documento estava quase esquecido no Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis. Ele fez a transcrição e uma tradução primorosa do original em francês para o português, anotando o texto meticulosamente. O  lançamento do livro será acompanhado da Mesa: "Herói de guerra ou vilão sanguinário? O Conde d'Eu, a Guerra do Paraguai e a política imperial", com os convidados Rodrigo Goyena Soares, Ricardo Salles, e mediação de Maria de Fátima Argon e Bruno Tamancoldi. A palestra buscará revisitar o lugar do Conde d’Eu na Guerra do Paraguai e, igualmente, propor respostas às controvérsias historiográficas sobre este personagem ainda pouco conhecido do grande público

No último dia de evento, com mediação de Lara Sayão, a FLISI convidou os escritores Ruy Castro, Heloísa Seixas e Clóvis Bulcão para Mesa “A Memória como fonte para a ficção e a não ficção”. Conversa entre três escritores que transitam entre a ficção e a não ficção a partir da memória. Enquanto Clóvis Bulcão e Ruy Castro escrevem biografias e livros de reconstituição histórica, Heloisa Seixas é autora de romances e contos. Só que, no caso do casal Ruy Castro e Heloisa Seixas, às vezes, os papéis se  invertem e eles se metem na seara um do outro. Os três irão conversar com o público sobre os prazeres e os desafios da escrita, bem como, sobre as diferenças entre biografia e memória, e entre ficção e não ficção. O espetáculo teatral "Um Sarau Imperial", faz a despedida da FLISI com dramatização interativa de uma atividade típica de lazer do século XIX. Embalado por modinhas imperiais cantadas por uma soprano e acompanhadas ao piano, o público assiste e participa com canções, declamação de poesias e conversas sobre assuntos sociais, econômicos, políticos e culturais da época, retirados da correspondência particular da família imperial. Conta com as personagens históricas Princesa Isabel, Condessa de Barral, Baronesa de Loreto, Francisca Taunay e Adelaide Taunay.

Para Cristina Oldemburg, a realização da Festa Literária da Serra Imperial se configura, mais uma vez, como instrumento vivo de mobilização cultural em prol do livro e da literatura nacional na Região Serrana do Estado do Rio. “A FLISI, além de incentivar o participante a conhecer novos escritores, estimula o pensamento crítico, por meio de palestras, debates, exposições, encontro com artistas e lançamentos literários, valorizando a comunidade cultural da região e impulsionando a cultura e a economia criativa do entorno de Petrópolis. A primeira edição da FLISI foi um sucesso e, com certeza, essa segunda edição também será, não só pela qualidade dos convidados, mas pela importância da cidade no contexto histórico e cultural do país. A FLISI 2017 é sobretudo um instrumento de valorização da memória cultural e histórica do país, na convicção de que, sem uma visão do passado, não se pode compreender o presente nem construir o futuro", fala Cristina.

De acordo com Maurício Vicente Ferreira Jr., Diretor do Museu Imperial, a “Festa Literária da Serra Imperial é um convite à reflexão sobre as dimensões da História e da Memória a partir da relação do indivíduo com a literatura. Assim, o Museu Imperial amplia seu público, bem como a oferta de oportunidades para a fruição do acervo histórico e artístico sob sua responsabilidade." A programação da FLISI vai acontecer de forma simultânea em vários pontos da cidade imperial. Todas as atividades, como exposições, palestras, debates, apresentação de coral, entre outras, são gratuitas e abertas ao público.  

Nenhum comentário: