De cada 100 pessoas que sofrem homicídio no Brasil, 71 são negras; diz ONG Visão Mundial



Ação acontece na próxima quinta-feira (24), a partir das 13h, na Praça da República, em Nova Iguaçu com apresentações culturais e debates sobre o tema

Com o objetivo de promover uma discussão pública a fim de conscientizar a população sobre os direitos da juventude negra, o Monitoramento Jovem de Políticas Públicas (MJPOP) da Visão Mundial, realiza o ato Contra o Extermínio da Juventude Negra na próxima quinta-feira (24), das 13h às 16h, na praça Rui Barbosa, em Nova Iguaçu. São esperadas cerca de 100 pessoas.

A realidade da violência contra jovens negros que vivem na cidade do Rio de Janeiro continua preocupante. O atlas da violência de 2017, estudo realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que jovens e negros são as principais vítimas de violência no país. De cada 100 pessoas que sofrem homicídio no Brasil, 71 são negras. Quando se trata de jovens, cerca de 30 mil de 15 a 29 anos são assassinados por ano no Brasil, sendo 77% são negros, de acordo com o último mapa da violência de 2014.

“É preciso racializar a discussão porque quem morre são jovens negros e pobres. É preciso parar de banalizar a discussão e desnaturalizar as mortes. Nosso ato busca denunciar essa questão e chegar até as pessoas que andam cada vez mais distantes da discussão por medo, desespero e abandono. E principalmente, chamar os jovens que são as maiores vítimas para esta luta”, conta a assessora de advocacy da Visão Mundial, Rute Souza.

A abertura da ação conta com um “varal de protestos”, que será feito com frases que representam a luta dos jovens negros confeccionados pelas pessoas que estiverem no local. Apresentações culturais irão marcar o ato com o grupo de dança Luar, o grupo de Hip Hop Sem Facção, além de apresentações de capoeira e de circo com a trupe Malungos. Um coletivo de mães que já tiveram filhos assassinados também terá um momento para falar sobre a violência contra a juventude negra.

Há 12 anos, o filho de Luciene Silva, 51 anos, foi assassinado quando estava a caminho de casa. Luciene conta como o fato mudou sua vida. “Fiquei sabendo da morte do meu filho, de 17 anos e negro, pelo jornal no dia seguinte. A gente acha que a violência não vai lhe atingir até viver essa realidade na pele. Depois de tanto sofrimento, decidi estudar e ajudar mães que já passaram por situações como a minha”, conta.

Ela ainda destaca a importância da empatia e da consciência dos direitos. “As pessoas não precisam passar pelo sofrimento que vivi para poder se preocupar com as outras. O problema da sociedade é pensar apenas na sua vida e esquecer que existem várias famílias sendo afetadas pela violência. A gente vive em um momento em que a sociedade tem que tomar uma atitude em meio a violação de direitos, mas primeiro é preciso conhecê-los. O Brasil ainda é um país racista e quem mais sofre é a juventude negra e pobre”, finaliza. 

Sobre a Visão Mundial

Maior ONG humanitária do mundo, a Visão Mundial Brasil integra a parceria World Vision International, que está presente em cerca de 100 países. No País, a Visão Mundial atua desde 1975 em 10 estados, beneficiando 2,7 milhões de pessoas com projetos nas áreas de educação, saúde/proteção da infância, desenvolvimento econômico e promoção da cidadania. Seus projetos e programas têm como prioridade as crianças e adolescentes que vivem em comunidades empobrecidas e em situação de vulnerabilidade. Mais de 80 mil crianças são atendidas anualmente pela organização. Nesses 40 anos de atuação no Brasil, a Visão Mundial se consolida como uma organização comprometida com a superação da pobreza e da exclusão social - visaomundial.org.br