Abandono do Belvedere será encaminhado a justiça



Mais de 30 equipamentos de grande porte, entre caminhões de carga, betoneiras, escavadeiras e tratores, além de contêineres e uma grande quantidade de matérias abandonados, como transformadores de energia, fiação, vergalhões enferrujados, dezenas de caixas d’água e cones de sinalização de via estão espalhados na área que já foi o jardim do Mirante Belvedere. Esta foi primeira imagem encontrada por membros do Conselho Municipal de Tombamento Histórico Cultural e Artístico ao entrarem no pátio do mirante para fazer uma vistoria na manhã desta sexta-feira (25.08). A inspeção confirmou ainda o total abandono da edificação principal.

O relatório técnico da vistoria feita pelo Conselho e um levantamento fotográfico, que mostra as condições atuais do Mirante Belvedere, serão encaminhados à Justiça em um prazo de 15 dias. A inspeção foi feita a pedido da 1ª Vara Federal por solicitação do Ministério Público Federal, que questiona a Concer quanto ao uso do mirante como espaço de apoio para as obras de construção da nova pista de subida da Serra desde 2013. 

O conjunto do mirante, composto por uma edificação em formato de disco, uma fonte com discos que segue o mesmo estilo do prédio principal, além de jardins, fica às margens da BR-040 e é tombado pelo município desde 2011.

“Estamos alinhados ao Ministério Público no entendimento de que o Mirante do Belvedere precisa ser recuperado e devolvido à população. É um espaço de grande valor histórico e cultural, que tem uma vista belíssima e uma memória que precisa ser preservada. Por suas características este monumento já foi cenário de filmes, e é lamentável ver que nos últimos anos o mirante foi transformado em um canteiro de obras e as pessoas deixaram de ter acesso a este monumento”, avalia o presidente do Conselho de Tombamento Roberto Rizzo Branco, que vistoriou o local ao lado do conselheiro e arquiteto Paulo Lyrio. A visita técnica foi acompanhada pelo especialista em regulação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Nilson Gonze e pelo gerente de Meio Ambiente da Concer, Alcimar Penna.

Durante a inspeção os membros do conselho confirmaram, ainda, o agravamento dos danos na edificação principal. A edificação, que na década de 60 abrigou um restaurante com estilo moderno para a época, com vidraças que permitiam uma visão panorâmica da Serra do Mar, após anos de abandono perdeu muito mais que as vidraças. Hoje o imponente monumento apresenta rachaduras, infiltrações, buracos no teto - em que em alguns pontos permite que o mato cresça – além de paredes de banheiros quebradas, piso danificado e vigas de sustentação da antiga vidraça totalmente enferrujadas.

“São condições que confirmam o estado de abandono de um monumento de grande valor para Petrópolis. Um espaço que, se estivesse preservado, poderia estar hoje incluída no roteiro turístico de Petrópolis, servir com uma ponto de apoio para os usuários da BR-040 e uma área de lazer para as famílias petropolitanas”, pontua Roberto Rizzo.

 “O Mirante do Belvedere foi construído em um trecho da antiga BR-03. A inauguração deste monumento em formato de disco suspenso, aconteceu pouco antes da inauguração de Brasília. Não só o monumento, como a fonte e os jardins têm grande valor histórico, arquitetônico e cultural. É preciso que a área seja recuperada e devolvida à população”, afirma Lyrio.

Sob responsabilidade da Concer – concessionária que administra o trecho Rio-Juiz de Fora da BR-040 - o Mirante do Belvedere foi interditado para que fosse utilizado como área de apoio para as obras de construção da Nova Subida da Serra. Quatro anos após a interdição, no entanto, a pista não foi concluída, a obra está abandonada e o mirante se tornou um grande depósito, ocupado por máquinas, equipamentos, contêineres, estruturas pré-moldadas e restos de materiais.

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