Museu Imperial de Petrópolis, RJ, pede a Temer cartas escritas por D. Pedro II a Czar da Rússia



Fonte G1 - O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) está fazendo um apelo ao Presidente Temer para que ele doe ao Museu Imperial em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, as cartas de D. Pedro II, que recebeu do presidente da Rússia, Vladimir Putin. O Museu foi a casa de verão do Imperador e guarda mais de 250 mil documentos em seu acervo, entre eles, milhares de correspondências do Imperador com personalidades de diversos países.

Na semana passada, o presidente do Ibram, Marcelo Araujo, encaminhou, por e-mail, uma manifestação de interesse aos setores competentes da Presidência da República, para que o Arquivo Histórico do Museu Imperial seja o destino das cartas que foram escritas por D. Pedro II e enviadas ao Czar da Rússia Alexandre II.

Por e-mail, a Presidência da República informou ao G1 que ainda não recebeu um pedido formal.

"Não sabemos se essas cartas entregues a Temer são originais, mas de qualquer forma achamos que é importante que elas sejam incorporadas ao nosso acervo", disse Maurício Vicente Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial. Ele acrescentou que no acervo da instituição estão milhares de cartas do Imperador. São correspondências escritas em diferentes línguas, como inglês, francês e italiano, que eram trocadas com médicos, cientistas e escritores.

Uma das personalidades com quem D. Pedro II conversava, segundo Maurício, era o médico e cientista Jean-Martin Charcot. Em uma das cartas, com data de 1869, o médico agradece a nomeação como grã-cruz da Ordem da Rosa e disse estar "se sentindo orgulhoso por recebê-la de um soberano liberal que sempre admirou como sábio".

Maurício afirmou que as trocas de elogios aparecem com frequência nas cartas e disse também que Charcot foi responsável por assinar o atestado de óbito do Imperador mais de 20 anos depois da data da carta (D. Pedro II morreu em 1891), o que mostra que os dois mantiveram a amizade por um longo período.

O Museu também guarda 44 cadernetas onde D. Pedro II escrevia sobre suas viagens tanto pelo Brasil quanto ao exterior. Além de contar detalhadamente sobre os destinos onde chegava, o imperador também desenhava as paisagens que via. “Ele se preocupava com o que ia deixar na história”, afirma Maurício.

O diretor do Museu Imperial lembra também que a documentação relativa às viagens de D. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo, custodiadas pelo Museu Imperial em seu Arquivo Histórico, recebeu o reconhecimento da UNESCO com a inscrição no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo, em 2013. A premiação tem status de Patrimônio Documental da Humanidade.

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