quinta-feira, 6 de abril de 2017

Candidato a prefeito em 2016 pelo PT, quando obteve 8.618 votos, Yuri Moura decide deixar a sigla

O candidato à Prefeitura de Petrópolis em 2016 pelo Partido dos Trabalhadores, Yuri Moura, deixa o partido. "Me despeço do PT mas não esqueço a nossa história", publicou em sua página oficial no facebook. Confira o conteúdo da carta na íntegra. 


Passei a maior parte da minha vida no Partido dos Trabalhadores, iniciei minha trajetória ainda aos onze anos, frequentando suas reuniões e atos. Me filiei aos dezesseis, refundei sua juventude em Petrópolis, lutei em todas as campanhas, fui o terceiro candidato a vereador mais votado da sigla em 2012 e no ano seguinte me tornei presidente do diretório municipal: defendendo um partido mais ético, transparente e ideológico.

Superamos a crise em que o partido havia sido colocado na cidade, nos aproximamos dos movimentos, filiamos novos quadros, resgatamos militantes históricos e não tivemos medo de encarar os desafios nacionais impostos pelo golpe contra a nossa democracia e pela criminalização midiática do PT. Sem medo, também construímos um projeto para Petrópolis.

Em uma campanha difícil, contando com o apoio dos companheiros e companheiras, alcançamos a terceira maior votação para a Prefeitura de Petrópolis; reconhecidos pela campanha íntegra, livre de recursos escusos, mas com um plano de governo inovador, além de fortes propostas e destaque nos debates.

Corretos, mantivemos nossa coerência ao falarmos "Nem um, nem outro" e apontamos que nossa cidade não teria futuro com projetos políticos baseados nos interesses dos mesmos grupos e figuras no poder. Com disciplina partidária, votada e aprovada pela militância, e em respeito aos nossos 8.618 votos de confiança do povo petropolitano, expulsamos todos aqueles que se venderam e apoiaram o PMDB no segundo turno ou estão participando do seu atual governo na cidade. A coragem do partido em Petrópolis é justamente a que faltou para as outras instâncias do PT.

Porém, por não aceitarmos “acordinhos”, por termos posições firmes e pela perseguição ao meu nome – devido possível candidatura para deputado em 2018 - arbitrariamente as expulsões foram revertidas, deslegitimaram minha presidência e corromperam nosso atual processo de eleições internas. Hoje o diretório municipal de Petrópolis sofre intromissão de políticos filiados a outros partidos, de pessoas já desfiliadas que poderão até mesmo compor chapas e de membros do primeiro escalão do atual governo municipal que compram votos através de cargos. Fatos denunciados por nós, mas ignorados, tanto pelo PT no Rio de Janeiro, como pelo seu Diretório Nacional. A sensação é que o PT esqueceu o golpe e corre contente para os braços do PMDB.

Postura justificada por medidas como a vista grossa da direção estadual quanto ao apoio total, de nossa bancada na ALERJ, ao nome de Picciani para a presidência da casa. A aceitação do voto de um dos nossos deputados estaduais pela privatização da CEDAE e a inércia perante um governo do estado que persegue o funcionalismo público e literalmente bate nos trabalhadores e trabalhadoras. Prática reproduzida por outros parlamentares petistas em outros estados e até mesmo no Congresso Nacional.

Assim, anuncio a minha saída do Partido dos Trabalhadores por não mais acreditar nos rumos desta instituição, muito menos em sua capacidade de autocrítica ou se quer debate aprofundado no seu próximo congresso – que já começa errado nas etapas municipais, através do fraudulento PED (Processo de Eleições Diretas). No mais, boa parte dos maiores cargos de direção estadual e nacional do PT se encontra tomado por carreiristas, burocratas e acordistas, personagens que estão desconstruindo as conquistas dos governos Lula e Dilma, afastando a militância da tomada de decisão e rasgando o petismo ao se aproximarem dos golpistas usurpadores dos direitos do povo. Aqui em Petrópolis venderam o partido, mas não estaremos no pacote!

Deixo amigos e amigas, pessoas que admiro e que ainda lutam internamente contra a canalhice de alguns. Acredito na militância, nos dirigentes de base (como eu, quase sempre preteridos), nas lideranças íntegras e nos parlamentares autênticos que ainda enfrentam às contradições do partido. Ainda torço para que o partido mude, e saio do PT para que o PT não saia de mim.

A luta por uma sociedade mais justa não se limita aos caminhos de uma organização. Olho o futuro com a certeza de que continuarei de pé contra as atrocidades do governo Temer, sempre em favor dos direitos da classe trabalhadora. Sem medir esforços para que Petrópolis tenha uma verdadeira mudança política e que nosso estado, principalmente o interior, supere está terrível crise.

Ainda não penso em outra filiação partidária, atuarei nas bases, propondo projetos e políticas públicas, trabalhando por meio da educação popular, da cultura e na defesa dos direitos humanos.

Minha descrença e consequente saída não é um ato individual, pelo contrário, é fruto de uma decisão coletiva, junto aos cerca de 120 companheiros e companheiras que também se desfiliarão nos próximos dias. Antes, apresentaremos um balanço de gestão, cumprirei com minhas responsabilidades enquanto presidente legítimo e conversaremos com todos aqueles militantes que não perderam identidade. Construiremos um manifesto e fundaremos um novo movimento que servirá de ferramenta para as lutas populares. Sonhando os mesmos sonhos, mudando a realidade.
O tempo nunca foi inimigo dos que agem com verdade. Até a vitória sempre!

Aos 27 anos, Yuri é primeiro suplente da Câmara de Vereadores. Foi coordenador de Juventude da Prefeitura, assessor na Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro e assessor do Senado Federal. 


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