quarta-feira, 15 de março de 2017

Em Petrópolis, condutores assinam documento aderindo a substituição das charretes


A polêmica envolvendo uma antiga tradição em Petrópolis, Região Serrana do Rio, as vitórias, como são chamadas as charretes na Cidade Imperial, pode ter chegado a reta final. Dois meses após a Câmara Municipal ter vetado a Comissão Especial que tinha como objetivo realizar estudos sobre a substituição das charretes por outro meio de deslocamento turístico, oito dos treze condutores assinaram, um “Termo de Intenção” de substituição das charretes por outro tipo de veículo, sem tração animal.

Com o apoio da coordenadora de bem-estar animal do município, Elisabete Amorim e de protetores independentes, Gilda Beatriz, que presidiu a extinta Comissão, seguiu com as negociações de maneira independente.

“Demos um passo histórico em direção a liberdade dos animais. Conseguimos mostrar que é possível, com diálogo e bom senso, preservar a tradição, já que a intenção é buscar um veículo elétrico que mantenha o charme da atividade e que garanta  o sustento das famílias. É importante frisar que são os condutores das charretes os primeiros a receberem os turistas em Petrópolis e por isso, a importância de mantê-los na mesma atividade, porém sem o uso de tração animal, que aliás é uma tendência  mundial.” afirma a vereadora, reconhecida defensora da causa animal.

Um dos condutores à frente do movimento pela substituição, Roni Silva, deixou claro que o veículo elétrico seria a melhor opção para encerrar a polêmica garantindo os empregos.

“Não é fácil trabalhar com a pressão dos protetores de animais. No entanto, temos um trabalho digno e honesto, e estamos totalmente dentro da lei. Aceitamos a substituição, com a garantia de que vamos continuar trabalhando, e com um modelo que seja adequado turisticamente. Agora, a responsabilidade é das autoridades para conduzir o processo e o destino dos nossos animais”, explica.

Gilda Beatriz quer realizar a substituição utilizando o mínimo de recursos do município. A assinatura do termo foi feita durante uma reunião na Câmara Municipal.

“É realmente um momento ímpar, mas ainda é uma etapa, não vou comemorar. Nosso trabalho será direcionado para conseguir viabilizar um novo modelo de transporte turístico com recursos financeiros específicos do Ministério do Turismo,  sem onerar os cofres da Prefeitura que, passa por sérias dificuldades financeiras. O prefeito Bernardo Rossi – que vem expressando grande sensibilidade pela causa animal – já demostrou vontade de avançar no tema. Com seu apoio teremos sucesso, não tenho dúvidas. Fizemos um levantamento, e já identificamos que há verbas federais disponíveis para os municípios, foco agora é desenvolver um projeto que remeta às tradições de Petrópolis, uma vez que esses recursos só podem ser utilizados para atividades turísticas”, pontua.

O destino dos animais é uma das maiores preocupações quando o assunto é a substituição das vitórias por outro veículo – sem tração animal. Durante as discussões, protetores dos animais deixaram clara a intensão de fazer o acompanhamento dos cavalos, garantindo aos condutores que quiserem o direito de acompanhar todo o processo de adoção.

“Todo o nosso trabalho foi direcionado para um final feliz para os animais, com diálogo e bom senso, agora não será diferente. Os protetores da causa animal conduzirão esse processo  de adoção e eu estarei ao lado deles. Quem adotar esses animais terá que se comprometer em não vende-los ou permitir que sofram  qualquer forma de exploração. Tudo será feito  com absoluta transparência para que Petrópolis, mais uma vez, esteja na vanguarda da história, também na proteção animal. ” 

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