quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Metodologia japonesa de prevenção a desastres começa a operar em março



A partir de março a Defesa Civil de Petrópolis passa a contar, efetivamente, com os dados do Projeto Gides - Gestão do Risco de Desastres e Programa de Resposta, que vem sendo montado há três anos de forma pioneira no país. O Gides oferece a metodologia japonesa para enfrentar desastres naturais e tem a implementação de técnicos do Japão em missão permanente no país até a sua efetivação.

Os agentes da Secretaria de Defesa Civil encerram nesta quarta-feira (08.02) reunião de dois dias de mais uma série de encontros de grupos de trabalho que une Brasil e Japão. A ideia é colocar em prática o método nos primeiros dias de março. Ele engloba acompanhamento do índice pluviométrico com a saturação e movimentação do solo simultaneamente.  O sistema já é usado no Japão, porém ainda é inédito no Brasil.

“É grande a expectativa em ver funcionando. Agora todo o debate que aconteceu durante esses anos será colocado em prática”, disse o diretor do Departamento Técnico, Operacional e de Fiscalização da Defesa Civil, Ricardo Branco. “A metodologia japonesa utiliza cálculos no monitoramento. A Defesa Civil, durante todo o acordo de cooperação, fez o apanhado do comportamento do solo em várias partes da cidade no período de chuvas. O método japonês entra nesta fase, da amostragem de água no solo: com modelagem de cálculos, é possível prever se as chances de acontecer o deslizamento existe”, explicou.

A etapa experimental será executada ainda em Friburgo e Blumenau outras duas cidades selecionadas ao lado de Petrópolis para receber o projeto-piloto no país. O sistema atual, que conta apenas com pluviômetros, não será desativado: ele vai operar em conjunto.

“A Defesa Civil trabalha com a prevenção, e assim como determinou o prefeito Bernardo Rossi,toda equipe vai dar o suporte necessário para a parceria funcionar”, disse o Secretário de Defesa Civil, Coronel Paulo Renato Vaz. “É um projeto experimental, mas que vai trazer uma nova maneira de pensar o desastre aqui em Petrópolis. A Defesa Civil ganha, e consequentemente, os petropolitanos”, afirmou.

Especialista em Gestão de Desastres de Sedimentos, Akinori Naruto, um dos consultores do Gides, falou em nome da equipe japonesa: “A continuidade do projeto é importante neste momento em que se iniciam testes práticos. Esperamos contribuir com essa metodologia na prevenção de desastres aqui no Brasil”, disse.

O trabalho, que recebeu aporte de US$ 11 milhões do governo japonês, vai resultar em manuais para os quatro eixos principais que servirão de guia de orientação. Os manuais serão finalizados a partir dos testes e as cidades-piloto, como Petrópolis, terão fortalecidas a capacidade de avaliação e previsão dos desastres de movimento de massa, aprimorarão o protocolo de alerta antecipado e terão reforço nas diretrizes de planejamento e prevenção como a expansão urbana.

Iniciado em julho de 2013, o Projeto GIDES é executado pelo Ministério das Cidades, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - CEMADEN, pelo Ministério da Integração - CENAD e pelo Serviço Geológico Brasileiro – CPRM, contando com a cooperação de especialistas japoneses do Ministério da Terra, Transporte, Infraestrutura e Turismo – MLIT, da Agência de Meteorologia do Japão e de outros órgãos de expertise na área, através da Agência de Cooperação Internacional do Japão - JICA.

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