Biometria será usada para evitar fraudes no transporte: Não há previsão para o início dos testes em Petrópolis

Foto: divulgação -

O combate às fraudes na utilização das gratuidades e benefícios no sistema de transporte público terá uma grande aliada: a tecnologia. A biometria facial, que permite identificar se a pessoa que entra no ônibus de fato é a usuária do benefício, já está sendo testada em algumas cidades do Estado, como Niterói. Em Petrópolis, uma parte dos ônibus já conta com o equipamento, posicionado sobre o validador dos cartões, mas o sistema ainda não está operando e não há previsão para o início dos testes.

O sistema antifraude de biometria foi estipulado pela lei estadual 7123/2015, que autoriza as concessionárias ou permissionárias de transporte público a utilizar a biometria como forma de controlar a regularidade da utilização de gratuidades e benefícios. O objetivo é garantir o benefício a quem tem direito e resguardar a individualidade do sistema, uma vez que há cartões específicos para estudantes e idosos – na Região Metropolitana, ainda há os cartões do Bilhete Único. De acordo com a lei, a implantação do controle biométrico será efetuada por meio de cadastramento ou recadastramento dos usuários, considerando a definição de prazos de validade do cartão eletrônico.

O investimento da biometria facial é feito pelas próprias empresas, que esperam diminuir o volume de fraudes, com a utilização indevida de cartões de gratuidade por pessoas que não têm o direito garantido por lei. Hoje, no Estado do Rio, 15% das passagens são de gratuidades – no entanto, aproximadamente 20% das viagens gratuitas são realizadas por pessoas que não possuem o benefício.

Quando estiver em pleno funcionamento, o sistema de biometria facial será capaz de captar até oito imagens do passageiro que usa o cartão. A melhor imagem é armazenada e o reconhecimento da face é extraído, por meio de um “mapeamento” de pontos específicos de cada rosto, como a distância entre os olhos, nariz e boca, por exemplo. Esse processo permite a análise e identificação, mesmo que o usuário utilize acessórios, como óculos e bonés, ou variações de ângulo.

O sistema de biometria facial funciona assim: uma câmera, que será implantada junto ao validador do cartão, registra 90 fotos a cada milésimo de segundo. O sistema, então, busca as mais parecidas com a imagem cadastrada no sistema, evitando equívocos na interpretação. Com o Sistema Antifraude instalado, será possível fazer o cruzamento das informações contidas no cartão eletrônico com o cadastro de cada titular. Caso sejam detectadas não conformidades estão previstas sanções, conforme previsto em lei.

Para ser implementado em todo o estado, será preciso instalar 24 mil câmeras nos ônibus. Na fase de testes, em Niterói, a RioCard já identificou 8 mil embarques irregulares em apenas 15 dias de análises. Entre os casos registrados, há cartões Senior (benefício da gratuidade garantido a maiores de 65 anos) sendo utilizados por menores de idade e até mesmo por pessoas do sexo oposto ao do titular do cartão.

- Existe um processo anterior, antes de buscarmos esse tipo de tecnologia, que exige um recadastramento das pessoas nesse processo. Tinha uma quantidade de pessoas utilizando esse cartão, foi solicitada a presença dela no posto e caiu em 30% a gratuidade. Certamente ele estava se usando irregularmente desse benefício – explica o diretor da RioCard TI, Carlos Silveira.

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