Merenda Escolar: Integrantes do CAE relataram problemas encontrados em várias unidades de ensino



Integrantes do CAE relataram problemas encontrados em várias unidades de ensino. Secretário de Educação falou sobre as dificuldades com relação às dívidas herdadas do governo passado com os fornecedores da merenda.

Membros do Conselho de Alimentação Escola (CAE) se reuniram na manhã desta quarta-feira com o secretário de Educação, Anderson Juliano, com os funcionários do departamento de merenda escolar e com as nutricionistas da rede municipal de ensino, no depósito da merenda. Durante o encontro, que formalizou a primeira reunião do conselho nesse ano de 2017, os conselheiros relataram a dificuldade que eles enfrentaram nos últimos quatro anos com relação às informações solicitadas sobre a merenda escolar e falaram sobre diversos problemas constatados durante inspeção em unidades municipais de ensino, como o não cumprimento do cardápio e as cozinhas mal adaptadas. Além disso, os conselheiros pontuaram a preocupação com os CEIs que foram inaugurados na administração passada e não passaram pela inspeção do CAE.

Na ocasião, os conselheiros explicaram que o plano anual do CAE será apresentado para a Secretaria de Educação até o dia 30 e as reuniões mensais ocorrerão em toda primeira terça-feira de cada mês no depósito da merenda. Os problemas encontrados durante as visitas feitas nas escolas foram apresentados para o secretario de Educação, Anderson Juliano.

“Tivemos muitas dificuldades nos últimos quatro anos para se obter informações com relação à merenda por parte da secretaria de Educação. Por conta disso, tivemos que recorrer ao Ministério Público várias vezes. Precisamos ter acesso ao cardápio oficial e temos solicitações a fazer como por exemplo, pedir que a venda de doces e balas seja proibida nas unidades escolares porque esses produtos concorrem diretamente com a alimentação escolar. Existe uma lei municipal e uma estadual que proíbe essa pratica, mas isso estava ocorrendo na rede”, disse Rose Silveira, presidente do Sepe (Sindicato dos Profissionais da Educação – Petrópolis), presente à reunião.

Ainda segundo as conselheiras, os alimentos são destinados à alimentação das crianças, a partir da verba federal do PNAE – Plano Nacional de Alimentação Escolar – não podem ser utilizados em eventos da prefeitura.

“Isso é um crime. Esses alimentos são destinados à alimentação dos alunos e não podem compor cardápio de eventos e isso aconteceu várias vezes. Além disso, pedimos uma atenção especial em algumas escolas que precisam passar por reformas nas cozinhas”, disse a conselheira Franci Fragoso.
As escolas que foram inauguradas sem inspeção do CAE e COMED – Conselho Municipal de Educação - também fizeram parte da pauta. “Essas unidades foram inauguradas sem inspeção e temos que ver de perto as condições de cada uma delas. Também queremos saber o que houve com o dinheiro destinado ao pagamento dos fornecedores de merenda porque sabemos que havia verba nas contas em agosto, setembro e outubro do ano passado e simplesmente os pagamentos não foram pagos, ou seja, ficaram na conta até ser arrestado pela justiça. Vamos fazer uma representação no Ministério Público Federal questionando porque o dinheiro que estava na conta não foi utilizado antes para pagar os fornecedores”, afirmou Rose Silveira.

O secretário de Educação explicou que um levantamento está sendo feito nas escolas e todos os problemas estão sendo documentados.

“A nossa responsabilidade é a de fazer uma gestão responsável no setor da merenda. É um setor que diz respeito à alimentação dos filhos dos trabalhadores e eles têm o direto de acesso a uma alimentação em quantidade suficiente, com qualidade e variedade. Temos que levar em consideração os problemas relacionados à entrega dos alimentos, por isso, conversamos com os produtores rurais e eles pediram que os pedidos sejam entregues com maior antecedência. Vamos atender essa solicitação. Estamos revendo a qualidade dos alimentos que são comprados. Não podemos comprar filé mignon e receber músculo. Não toleraremos desperdício”, explicou Anderson Juliano, acrescentando que as nutricionistas da rede acompanharão mais de perto a execução do cardápio. “A intenção é de colocar as profissionais mais perto das unidades escolares, fazendo visitas, orientando a preparação dos alimentos e dando suporte às merendeiras”, explicou.

No final de dezembro, a administração passada anunciou que os produtos estocados no depósito cobririam três meses de merenda. Mas, um levantamento feito ela atual gestão da secretaria de Educação constatou que apenas 26 gêneros estavam armazenados no local. Para um cardápio balanceado são necessário 75 gêneros. Diante do quadro encontrado no depósito da merenda escolar, um cardápio emergencial está sendo elaborado pelas nutricionistas da rede.

“Esse cardápio está sendo elaborado com o saldo do que temos e com o que vamos receber nesses primeiros meses, ele ainda é melhor do que estava sendo servido no final do ano passado. Com a chegada dos produtos, conforme a licitações, o cardápio será modificado”, explicou a nutricionista Natália Thomaz.

“Herdamos uma dívida de 800 mil com fornecedores e estamos conversando com os empresários e estudando de que forma os pagamentos serão realizados. O prefeito liberou uma verba de 200 mil reais e algumas dívidas começarão a ser pagas. A verba proveniente do PNAE começa a chegar em março e uma ordem de licitação já foi feita pelo setor de merenda, estamos trabalhando para colocar tudo em ordem”, disse Anderson Juliano.

Além do secretário de Educação, participaram da reunião os integrantes do CAE, Rose Silveira, Claudete Neves, Franci Fragoso, Luis Carlos Dias, Eduardo Pereira de Oliveira, que é o presidente do CAE, as nutricionistas da rede municipal de ensino Natália Thomaz e Flavia Viana, Marco Ávila, do Sindicato Rural de Petrópolis, Fernando Vianna, responsável pelo depósito da merenda e Antônio Bauer, chefe de logística do setor da merenda.