quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CPTrans: Terreno alugado a R$ 12 mil/mês abriga carcaças de ônibus há 4 anos



Dívidas referentes a contratos de aluguel atrasados pela Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes ultrapassam R$ 526 mil. O valor da dívida com alugueis está registrado no balanço do mês de novembro da Companhia. A maior parte deste montante – pelo menos R$ 432 mil -  é referente ao aluguel de um terreno no distrito de Pedro do Rio onde estão depositadas carcaças de 15 ônibus que pertenceram à antiga empresa Autobus e foram compradas pela CPTrans em julho do ano passado. O material avaliado hoje em no máximo R$ 8 mil põe em risco a saúde da população vizinha ao terreno e gera uma despesa mensal de R$ 12 mil à Companhia. O terreno é um dos 82 imóveis alugados pelo poder público municipal identificados no levantamento pedido pelo prefeito Bernardo Rossi. Eles geram uma despesa anual de R$ 6,4 milhões aos cofres públicos.

“É inaceitável que durante todos esses anos nada tenha sido feito e estas carcaças, que não servem para nada, além de abrigar focos de mosquito, tenham sido mantidas em um terreno custeado pela CPTrans. É uma questão que prejudica não só as finanças da Companhia, mas principalmente a saúde da população vizinha, que fica exposta ao risco de doenças. Este é mais um dos absurdos que encontramos na gestão dos recursos públicos e que será imediatamente sanado”, afirma o prefeito Bernardo Rossi.

“Nossa prioridade neste momento é sanar a sangria financeira. Para isso precisamos retirar essas carcaças de lá e limpar o terreno para devolvê-lo ao proprietário. Paralelo a isso vamos negociar o pagamento da dívida acumulada durante todos esses anos”, explica o presidente da CPTrans, Maurinho Branco.  

As carcaças ficaram sob a responsabilidade da CPTrans entre 2012 e 2016, quando a Companhia indenizou a empresa e comprou as carcaças.

Uma equipe operacional da CPTrans esteve no terreno esta semana e fez uma avaliação desses ônibus, que com o passar dos anos ficaram totalmente deteriorados. O estado é de abandono total, as carcaças estão envoltas por mato alto e abrigam cobras, ratos e outros animais peçonhentos. A desocupação do terreno será discutida em uma reunião do Conselho Administrativo da CPTrans.

 “Estamos consultado o departamento jurídico, mas a determinação é para nos desfazermos destas carcaças o quanto antes. A intenção é abrirmos uma concorrência pública com pelo menos três empresas. Após a entrega dos ônibus o terreno será limpo para ser devolvido”, explica o gerente administrativo da CPTrans, Fabini Hoelz.   

“Cumprida esta etapa, a CPTrans vai iniciar as negociações com o proprietário para devolver o terreno e negociar o pagamento da dívida”, completa o diretor financeiro Jairo da Cunha Pereira.

 Na ocasião da intervenção, as carcaças ficaram sob a responsabilidade da CPTrans, que para desocupar a garagem da antiga Montreal para o uso das novas empresas, alugou o terreno em Barra Mansa em novembro de 2012.

A CPTrans deve ainda pelo menos R$ 60 mil referente a alugueis atrasados de um galpão no bairro Mosela onde são guardados equipamentos para manutenção de vias públicas. A empresa também tem débitos de aluguel de um espaço no terraço do Grande Hotel, onde havia um equipamento usado para enviar imagens de câmeras de monitoramento instaladas na Rua do Imperador.  

Mais de R$ 700 mil por ano com aluguéis para CPTrans e Comdep

Os espaços alugados pela CPTrans são parte dos 82 imóveis que geram uma despesa de R$ 6,4 milhões aos cofres públicos. Os aluguéis custeados pela  Companhia Petropolitana de Transito e Transportes significam por ano uma despesa de  R$ 330 mil. Somada ao montante de R$ 374 mil com aluguéis sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep), a despesa das duas autarquias com aluguel chega a R$ 705 mil.

Na Comdep o custo mensal com aluguéis é de R$ 31.249,77. A Companhia é responsável pelo aluguel de quatro imóveis, sendo que o que mais chama atenção no levantamento feito pelo município é o aluguel de um imóvel para funcionamento de um posto de Saúde. Além deste, a Comdep tem imóveis alugados no Carangola e em Cascatinha, que são usados para atividades de reciclagem, e na Rua Coronel Veiga - espaço cedido à Secretaria de Obras. O prédio sede da Comdep, na Rua General Rondon, 400, no Quitandinha é cedido à prefeitura pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Denit), sem custos para os cofres públicos.    

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