CEIs inaugurados em 2016 apresentam problemas estruturais

CEI Dona Esmeralda Caboclo, no Meio da Serra, não possui encanamento de água e sistema de tratamento de esgoto

Cinco Centros de Educação Infantil (CEIs) que foram inaugurados pela gestão passada em 2016 apresentam obras não terminadas, além de problemas como infiltração, paredes mofadas, falta de toldos e telas de proteção. Os problemas foram documentados por vistoria feita na segunda-feira (23.01) pelo secretário de Educação, Anderson Juliano e por integrantes do (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE), Conselho Municipal de Educação (COMED) e Conselho de Alimentação Escolar (CAE). O pior caso foi constatado no CEI Dona Esmeralda Cabocla, no Meio da Serra. No lugar a inspeção não encontrou encanamento de água e a rede de esgoto foi canalizada para ser despejada diretamente no leito de um riacho.

“Estarrecedora a situação de espaços que deveriam abrigar crianças em seu primeiro contato com a Educação. Ambiente insalubres e inseguros para elas e um desrespeito aos profissionais. Hoje, a fila de espera por vagas em creche já alcança 2.700 crianças. Falta de responsabilidade submeter bebês e crianças pequenas a ambientes como estes”, afirma Anderson Juliano. 

            O CEI Dona Esmeralda Caboclo foi inaugurado no dia 29 de dezembro de 2016. Na ocasião, para a festa de inauguração, um caminhão pipa abasteceu a caixa d’água da unidade. Desde então, essa é a única fonte de água localizada no CEI. A casa destinada para a unidade não foi adaptada corretamente para abrigar crianças de até três anos, como foi informado pela gestão anterior. O lugar possui apenas duas salas. Além disso, as paredes de madeira apresentam fendas, há goteiras no telhado, sinais de cupins foram encontrados nos cômodos, o refeitório possui ventilação ineficiente, tendo, inclusive, no mesmo espaço, acesso para um banheiro. 

O telhado já apresenta desníveis. O banheiro destinado às crianças não possui box e há apenas um sanitário. No lado de fora a realidade é ainda pior: há uma pequena varanda sem telas de proteção, o piso está completamente irregular, não há telas e cercas para a proteção das crianças e na parte de trás da casa, existe um abismo: na parte de baixo passa um riacho e ao lado encontra-se um imóvel residencial. Não foi construído um solário, lugar destinado ao banho de sol das crianças e também não foram colocados brinquedos.

“Esse local não possui as mínimas condições de abrigar uma unidade escolar. Como gestor, não posso permitir a abertura de um CEI que não possui encanamento e tratamento de água, onde o esgoto é despejado in natura. Além disso, não há telas de proteção, área de recreação, não colocaram nem um fogão na cozinha. O refeitório é muito pequeno e tem apenas um basculante para a circulação do ar. O local destinado à dispensa não possui prateleiras para armazenar os alimentos, onde eles seriam depositados? No chão? É um absurdo completo. A quantidade de banheiros não é adequada também”, disse Anderson Juliano.

Segundo a verificação feita pela secretaria, a antiga gestão disse aos moradores da comunidade que o lugar abrigaria 30 crianças. 

“A casa não tem a mínima condição de funcionar como escola. Essas crianças terão que ser atendidas em outras unidades. A secretaria de Educação vai providenciar o encaminhamento”, explicou Anderson Juliano.

Integrante do SEPE, Rose Silveira disse que o sindicato vai denunciar a situação do CEI ao Ministério Público. 

“Nunca observamos uma situação como essa. É inacreditável. A caixa d’água foi colocada no forro do telhado, que é de madeira, o telhado já está arriado, não tem espaço nas salas para as crianças dormirem, não há móveis e nem fogão. A unidade foi inaugurada com material emprestado de outra escola. Um Centro de Educação Infantil tem que ter muro, proteção, área de lazer para as crianças. Diante desse caos e desrespeito com a população, o SEPE vai pedir a revogação do decreto de criação desse CEI”, afirmou Rose.

Falta de segurança e infiltrações

Todos os contratos feitos com as empresas responsáveis pelas obras feitas nos CEIs que foram inaugurados no ano passado serão revistos. Há indícios que algumas obras tenham sido entregues sem os acabamentos previstos. O CEI Lota de Macedo Soares, foi inaugurado no dia 28 de outubro. No imóvel, que é alugado, o aterramento mal feito na piscina já apresenta sérios desníveis, o que compromete a segurança das crianças e impede o aproveitamento total do terreno. O lugar está precisando de capina e as árvores precisam de poda urgente. Faltam telas nas janelas e portões de segurança nas escadas. Além disso, não foi construído um solário com piso adequado.

            Localizado em Corrêas, o CEI Irineu Marinho foi inaugurado em junho de 2016. A inspeção da Secretaria constatou que falta corrimão na escada que dá acesso ao segundo andar, faltam toldos no pátio, onde as crianças brincam, além de vidros na porta do refeitório. Em Araras, o CEI Denise Bessa também foi inaugurado em junho de 2016. Na unidade faltam telas de proteção na escada e capina.

            Já o CEI José Gonçalves da Motta, localizado na Posse, que também foi inaugurado em junho do ano passado, o forro está despencando no corredor, já que a unidade passou por reforma, mas o telhado não foi modificado. Há mofo ocasionado pelas infiltrações na maioria das salas e no berçário, o problema é mais preocupante: por causa do caimento feito no solário, quando chove, a água entra no berçário, alagando a sala onde ficam os berços dos bebês. Além disso, o local é muito abafado e os ventiladores prometidos não foram colocados nas salas. Faltam vidros nas janelas e não telas de proteção na despensa. O escovódromo não foi instalado.

            “Estamos verificando de que forma o dinheiro público foi empregado nessas obras. Os responsáveis terão que responder por cada problema. O que não podemos permitir é que a comunidade e principalmente, as crianças, sejam lesadas por isso”, apontou o secretário de Educação.

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