Audiência para discutir salário do funcionalismo acontece sem representantes do governo



A equipe de transição do governo eleito de Bernardo Rossi está encaminhando oficialmente, pela segunda vez, pedido de informações sobre as reservas municipais que vão garantir o pagamento do salário do funcionalismo no dia 29 de dezembro. A ausência de três de quatro secretários da atual gestão convocados para audiência pública nesta quinta-feira (15.12) pela Câmara de Vereadores foi justificada com a indicação que há regularidade no pagamento do 13º salário e que os vencimentos de dezembro devem ser pagos dia 29, conforme o calendário, refutando, assim, a necessidade da audiência.

                 “Os caixas da prefeitura estão zerados; o 13º foi pago pela metade e não há recursos garantidos para sua quitação e o vencimento de dezembro está, sim, comprometido. A prefeitura não admite oficialmente o colapso financeiro, mas ele é comprovado com arresto de contas para pagar os vencimentos do funcionalismo e dívidas com prestadores de serviço como o Hospital Santa Teresa”, aponta Renan Campos, coordenador da equipe de transição do governo eleito de Bernardo Rossi, presente à audiência, acompanhado de Roberto Rizzo, membro do grupo.

                Os secretários de Fazenda e de Administração e o presidente do Inpas, respectivamente, Paulo Roberto Patuléa, Henrique Manzani e Paulo Marcos dos Reis, enviaram ofícios à Câmara informando que a audiência era desnecessária já que a administração está cumprindo pagamentos do abono e dos salários e que o governo está às voltas com ocorrência de chuvas registradas nos últimos dias. O secretário de Planejamento, Robson Cardinelli, enviou atestado médico para justificar sua ausência.
               
                Uma assembleia dos servidores foi convocada para segunda-feira, às 15h, em frente ao Palácio Amarelo, para deliberar as próximas ações do funcionalismo. Na audiência com mais de 250 pessoas, o clima foi de indignação com ausência dos representantes do governo.  “Uma atitude covarde e desrespeitosa com todas as classes de profissionais aqui representadas e com a cidade toda porque ela é atendida pelo funcionalismo essencial para seu desenvolvimento”, classificou Carlos André do Amaral, vice-presidente do Sindicato dos Fiscais de Petrópolis.  

                Também estiveram presentes o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sisep), Oswaldo Magalhães; a coordenadora do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado (Sepe), Rose Silveira; o presidente da Associação dos Guardas Civis, Luiz Fernando Neiva; a presidente da União dos Aposentados da Prefeitura (Unapo), Sílvia Martins de Souza e o presidente da Associação de Professores Municipais, Francisco Eccard.

                “Estamos vivendo um processo de judicialização das ações administrativas. Hoje, o judiciário precisa intervir para que o governo pague dívidas, cumpra obrigações em várias áreas como a Saúde e agora também com o caso do atraso no 13º salário.  E a atual gestão, ao apagar das luzes, ausente de um debate com os servidores que são o combustível para o funcionamento da máquina, mostra que estamos às vésperas de um colapso financeiro construído ao longo de quatro anos. Vamos iniciar 2017 sabendo que o ano será difícil para as contas públicas, mas estamos ao lado do funcionalismo”, afirma Renan Campos.

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