quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Greve dos bancários completa 30 dias e não tem prazo para terminar



A greve nacional dos bancários chega a 30 dias, alcançando a de 2004, mas ainda não há perspectiva de acordo com os bancos. Ontem, 17 agências do Bradesco, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ficaram fechadas, e 376 bancários ficaram parados. As informações são do Sindicato dos Bancários (Sindbancários), que disse ao Diário que não existe ainda sinalização da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para um acordo com a categoria. A última reunião, no dia 29, terminou sem consenso entre as partes.

A briga é por causa do reajuste salarial dos bancários, que está menor que a inflação. Na última negociação, os bancos propuseram 7% de aumento e R$ 3,5 mil de abono para todos os funcionários e se comprometeram a dar aumento real de 0,5% no ano que vem. Os sindicalistas rejeitaram a oferta, e argumentam que a conta final teria redução dos salários. Eles pedem 14,7% de ajuste, valor que fica 5% Acima da inflação.

Para o presidente do Sindbancários, Marcos Alvarenga, a greve nacional é uma questão de quebrar a “intransigência” dos bancos:

- A união da categoria bancária está sendo responsável por uma resistência à intransigência dos banqueiros, principais responsáveis por essa greve. A greve dos bancários e as conquistas dela servirão como referência à todas as outras categorias de trabalhadores. Afinal, o setor financeiro é o mais lucrativo do país e, se os trabalhadores desse setor não conseguirem assinar um acordo justo e decente, quem conseguirá depois?
Funcionários da Caixa farão manifestação

Os trabalhadores da Caixa marcaram manifestação para hoje na Praça Dom Pedro, no Centro, às 8h. Depois os grevistas devem se dividir para protestar nas várias agências da Caixa. Eles protestam porque os bancos estatais ainda não apresentaram nenhuma proposta para os funcionários.

Grevistas não podem ser demitidos

O Sindbancários publicou uma nota desmentindo um boato de que os grevistas poderiam ser demitidos após o 30º dia de greve, por abandono de emprego. A nota chamava o rumor de “ardil para tentar desmobilizar a categoria”.

A lei de greve garante que “a participação em greve suspende o contrato de trabalho” (artigo 7º da Lei 7.783/89). Com o contrato de trabalho suspenso, o trabalhador não precisa prestar serviço.

Duração incomoda

A duração da greve incomoda alguns setores da sociedade, principalmente porque os bancos públicos – Banco do Brasil e Caixa – não estão participando de revezamento. Isso gera dificuldades para os trabalhadores demitidos, que não conseguem sacar o FGTS.

- Estão acontecendo dificuldades com as rescisões porque a maioria aqui recebe na Caixa. Isso está prejudicando os trabalhadores. Alguns até conseguem sacar com o cartão cidadão, mas os que não têm o cartão ficam em situação ruim – disse José Maria Rabelo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil.

Outros sindicalistas também criticam a duração, mas têm posição mais ponderada. Jorge Mussel, presidente do Sindicato da Indústria de Vestuário, disse que os banqueiros têm de atender logo as demandas dos trabalhadores.

- Não culpo o sindicato dos bancários. Culpo a Febraban, que tem de ser responsabilizada por isso. Dar ajuste menor que a inflação não se faz – disse o líder sindical, que também lembrou que o fechamento dos bancos públicos atrapalham o funcionamento de sindicatos – Por lei, não podemos simplesmente sacar dinheiro no banco. Precisamos pagar nossas contas nos bancos públicos – explicou.

Já outros são intransigentes no que diz respeito à greve, e não consideram que esses percalços sejam tão importantes quanto a greve em si. O presidente do Sindicato da indústria Têxtil, Wanilton Reis, foi categórico:
- Para mim tinha que parar tudo. Lotérica, caixa eletrônico, tudo. Esses banqueiros são gananciosos, são quem mais lucram no Brasil, tudo eles cobram a mais da população, e não querem dar nem 10% de reajuste. É claro que toda greve traz um prejuízo, mas tem que entender que é tudo por uma causa maior, que é o direito do trabalhador.

fonte: Diário de Petrópolis 
Por: Eric Andriolo - Rômulo Barroso

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