Bancários entram em greve a partir de terça-feira




Categoria quer reajuste de 14,7% (inflação + aumento real de 5%), mas Fenaban ofereceu apenas 6,5%

O Sindicato dos Bancários de Petrópolis (SindBancários) decidiu ontem (1º) à noite que vai entrar em greve a partir da 0h da terça-feira (6), seguindo recomendação feita pelo Comando Nacional dos Bancários. A paralisação será por tempo indeterminado. A categoria recebeu proposta de reajuste salarial muito abaixo do pretendido.

Os bancários querem reajuste de 14,7%: inflação dos últimos 12 meses, segundo o IBGE (9,7%), mais aumento real de 5%. O pedido aconteceu no dia nove de agosto. Porém, na última segunda-feira (29), a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ofereceu reajuste de 6,5% – ou seja, sequer repõe perda inflacionária – mais um abono de R$ 3 mil. A categoria ainda fez outras reivindicações, como contratações e fim do assédio moral, mas houve qualquer sinalização da Fenaban sobre esses temas.

“Os bancos não tem prejuízos a décadas. Eles têm condições de atender nossas reivindicações, tem como melhorar nossas condições de trabalho, de segurança” Marcos Alvarenga – presidente SindBancários

– A gente tem uma política de aumento de real. E faz 13 anos que consegue não ter perda. Por isso a gente achava, com eles já sabendo desse histórico, que iam oferecer a inflação e mais alguma coisinha. Mas vieram abaixo da inflação. Os bancos não tem prejuízos a décadas, estão sempre com faturamento de R$ 1 bilhão, R$ 2 bilhões. Eles têm condições de atender nossas reivindicações, tem como melhorar nossas condições de trabalho, de segurança – comentou o presidente do SindBancários, Marcos Alvarenga. Ele informou que a Fenaban não marcou nova rodada de negociações, fato que se tornou mais um motivo para a paralisação.

O presidente do Sindicato dos Bancários também criticou a proposta de abono.

– O abono de R$ 3 mil seria pago em parcela única e ainda conta no imposto de renda, ou seja, sofre desconto. Esse abono não agrega ao FGTS, ao 13º, não tem valor a médio e longo prazo – disse.

Ainda não está certo como será a realização da greve. Nos últimos anos, houve um revezamento entre as redes bancárias, como cada agência abrindo em um dia. Segundo Alvarenga, esse rodízio acontece porque só os trabalhadores ficam com medo de ser demitidos caso não apareçam para o serviço – apenas os membros da diretoria param completamente. Isso não significa, entretanto, que o movimento fica fragilizado.

– Não é porque a agência está aberta que a greve acabou. Muitas vezes eles encerram o expediente mais cedo, porque os bancários continuam em estado de greve – explica. A diretoria do SindBancários vai se reunir para ver a estratégia da paralisação desse ano.

Para a Fenaban, se somados o abono e o reajuste, haverá “ganho superior à inflação na remuneração do ano da grande maioria dos funcionários do sistema bancário”. “A Fenaban reafirma sua confiança no diálogo contínuo entre as partes para se chegar a um acordo de renovação da convenção coletiva de trabalho entre bancos e bancários, que é a mais abrangente e completa do país”, acrescentou a federação.

A data-base da categoria é 1º de setembro. Em Petrópolis, são quase 700 bancários trabalhando em 35 agências. Vale lembrar que os clientes ainda poderão utilizar os caixas eletrônicos e ainda os serviços on-line oferecidos pelos bancos.



NÚMEROS

Negociação

14,7%

Pedido dos Bancários: inflação (9,7%) + aumento real (5%) 

6,5%

Proposta da Fenaban + abono de R$ 3 mil

Via Diário
Rômulo Barroso (com Agência Brasil)