Cidade fecha mês de junho com menos 179 vagas de empregos


Quase todos os setores tiveram mais demissões do que contratações no mês que fechou o semestre

Quase todos os setores da economia de Petrópolis tiveram mais demissões do que contratações de carteira assinada em junho. O mês terminou com 179 postos de trabalho a menos, o segundo pior de um semestre muito ruim para o mercado de trabalho da cidade: a primeira metade do ano viu fechar 448 vagas no município. Os números são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho.


A indústria e o comércio tiveram os piores resultados: tiveram corte de 69 e 63 empregos, respectivamente. Serviços (-27), agropecuária (-13) e construção civil (-3) também tiveram diminuição de vagas em junho. Apenas o setor extrativo mineral contratou mais do que demitiu, com saldo positivo de dois empregos.
Para o presidente do Sindicato da Indústria Têxtil (setor que demitiu 92 trabalhadores), Wanilton Reis, o motivo foi o pedido de recuperação judicial da Werner.


– O que mais pesou foram as demissões da Werner, que está com problemas e avisou que mandou embora 35 pessoas – analisou.

“O cara que tem três funcionários e não consegue se manter, demite um, aquele que faz menos falta. Mas a gente acredita que a situação vai melhorar em agosto”


Ernani Corrêa – presidente do Sindicato dos Comerciários

O presidente do Sindicato da Indústria de Vestuário, Jorge Mussel, ressalta que um dos grandes problemas é que grandes empresas não estão conseguindo renovar incentivos fiscais.


– Está com déficit sim, está tendo muita demissão. Isso é porque empresas grandes estão ficando sem incentivos fiscais. A Opção, por exemplo, demitiu cem funcionários nos últimos dois meses – comentou.
– Por outro lado tem uma esperança, porque abriu empresa nova, e pode contratar mais funcionários – continuou.


O otimismo também aparece nas palavras do presidente do Sindicato dos Comerciários, Ernani Corrêa. Ele reconhece que a quantidade de demissões está alta, mas diminuindo aos poucos e já deve mudar de patamar em curto prazo.


– Houve muitas demissões, mas antes estava maior. Vai chegando o momento em que não tem mais quem demitir. Este mês, teve até dia em que não fiz homologação nenhuma – informou.


– É aquela coisa, o cara que tem três funcionários e não consegue se manter, demite um, aquele que faz menos falta. Mas a gente acredita que a situação vai melhorar em agosto – explicou.

Segundo pior mês

No semestre, este foi o segundo pior resultado. Quatro meses tiveram queda de trabalhadores formalizados: janeiro (-103), março (-389), abril (-124) e junho (-179). Apenas fevereiro (224) e maio (123) tiveram mais contratações – justo em meses que o comércio é naturalmente aquecido, com o carnaval e o Dia das Mães.
Na comparação com o ano passado, o resultado é ainda mais preocupante: foram 39 empregos a menos em junho de 2015. Em 12 meses, já são 1.568 vagas formais cortadas.


O salário médio na admissão também teve uma queda acentuada. Em junho, a remuneração ficou em R$ 1.511,00, enquanto havia fechado em R$ 1.936,79 em maio – uma diferença de 28,1%. No semestre, ficou R$ 1.752,96.


Brasil perde 91 mil empregos

Agência Brasil

Os números do Caged mostram que o país continua com aumento do desemprego. Em junho, o país perdeu 91.032 vagas de empregos formais. Mesmo assim, o resultado foi melhor que o de junho do ano passado, quando foram fechados 111.199 postos formais. No acumulado deste ano, foram 531.765 vagas fechadas e, nos últimos 12 meses, o saldo chega a 1,765 milhão de postos com carteira assinada a menos.


O setor de serviços registrou a maior queda de vagas formais em junho deste ano (fechamento de 42.678). O setor inclui a atividade bancária, transportes, comunicações, ensino e serviços médicos, por exemplo. A indústria da transformação teve a segunda maior perda de postos, com fechamento de 31.102 vagas. A construção civil fechou 28.149 vagas e o comércio, 26.787 postos.


As únicas atividades com novas vagas abertas foram a agricultura e a administração pública. A primeira abriu 38.630 postos em junho e a segunda, 790 vagas.

Via Diário de Petrópolis / Rômulo Barroso - Eric Andriolo