Investimento de R$ 1,4 milhão e nenhuma das 22 câmeras de monitoramento funcionam



Câmeras de videomonitoramento que não funcionam,  equipamentos quebrados e infraestrutura precária foram alguns dos problemas confirmados por uma comissão de vereadores durante uma vistoria feita na manhã desta segunda-feira (20.06) às duas centrais de videomonitoramento que recebem imagens de câmeras instaladas pelo município.  A fiscalização, liderada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor (PMDB), confirmou “in loco” problemas apontados em um relatório que foi entregue ao vereador na semana passada. A fiscalização da Câmara ocorre em função do assalto a uma loja de eletrodomésticos na semana passada, à luz do dia. Foram roubados 700 celulares e a ação dos bandidos não foi captada pelas câmeras.

 “O que vimos é o total abandono do sistema de monitoramento. A situação é mais grave do que o que nos apontaram. O sistema não funciona e as condições para os servidores são precárias. Na central instalada na Secretaria de Segurança até mesmo as lâmpadas da sala estão queimadas. De oito lâmpadas, apenas uma ilumina a sala onde deveria funcionar a central. Os equipamentos estão todos desligados por problemas devido à falta de manutenção. O coordenador do sistema nos informou  que mais de quatro ofícios foram enviados ao governo  no ano passado, alertando para a necessidade de manutenção dos equipamentos”, conta Paulo Igor. A fiscalização às duas centrais foi acompanhada pelo presidente da Comissão de Segurança da Câmara, vereador Reinaldo Meirelles (PP) e pelo vereador Silmar Fortes (PMDB).   

 Somados os dois sistemas, a cidade deveria ser monitorada por 28 câmeras. Destas apenas 22 foram instaladas – 14 delas em 2013 e oito em 2008. A maior parte delas é ligada a um sistema instalado na Secretaria Municipal de Segurança e outras oito, deveriam enviar imagens à central instalada na sede da Companhia Municipal de Transito e Transportes.  “Na prática, nenhuma delas está funcionando. A central da CPTrans está desligada há duas semanas e a da Secretaria de Segurança não funciona há mais de quatro meses.  Houve um investimento de cerca de R$ 1,4 milhão para implantar estes sistemas, um convênio com o governo federal, e não temos uma única câmera funcionando, isso é inaceitável”, pontua Paulo Igor.  As imagens das câmeras instaladas na Rua do Imperador, poderiam ter evitado que bandidos saíssem de uma loja de eletrodomésticos na semana passada levando mais de 700 aparelhos celulares. “Existe uma câmera bem em frente à loja”, lembra Meirelles.  

Resultado da vistoria será encaminhado ao Ministério Público

O resultado da vistoria da comissão de parlamentares, acompanhado por uma cópia do relatório que foi enviado ao vereador, será encaminhado ao procurador da República Charles Stevan da Mota Pessoa, que acompanha o caso. Na sexta-feira (17.06) o procurador estabeleceu um prazo à prefeitura de 40 dias para que as câmeras voltem a operar plenamente. “A ação do procurador vem somar às medidas que estamos adotando na Câmara de cobrança pelo funcionamento das câmeras”, pontua Paulo Igor, lembrando que o pedido oficial de informações sobre o funcionamento dos equipamentos e manutenção dos mesmos já foi encaminhado à prefeitura.

Segundo o Ministério Público Federal, o município teria recebido R$ 876 mil para a instalação das 20 câmeras de monitoramento. A central de videomonitoramento entrou em operação em 2013. Uma vistoria da Secretaria Nacional de Segurança Pública verificou, no entanto, que cinco câmeras não chegaram a ser instaladas e outras quatro não funcionavam por falta de link. As câmeras instaladas em 2013, somaram-se a oito, instaladas em 2008, num total de 22 equipamentos para monitorar a cidade. Em 2008 foram investidos R$ 500 mil na instalação do monitoramento no Centro.

 “O videomonitoramento é um sistema inteligente que vem sendo implementado em  municípios como Três Rios, Nova Friburgo, Nova Iguaçu e na Capital. Em todos os lugares ele vem trazendo bons resultados. Mas, para isso é importante não só que os equipamentos recebam manutenção e funcionem bem, mas também que haja um compartilhamento das informações com os demais órgãos de segurança, como a Polícia Militar e a Polícia Civil. Essa integração permitirá que a resposta seja mais rápida”, pontua Paulo Igor.