UERJ Petrópolis tem escritório modelo de Arquitetura voltado à habitação popular



O campus UERJ Petrópolis está estabelecido na cidade com uma importante missão além da formação de arquitetos: reduzir número de construções em risco por meio de projetos em habitação popular e orientação coletiva em comunidades e ainda projetos individuais para famílias de baixa renda.  O campus surge colocando em funcionamento um escritório modelo, o primeiro da cidade voltado para Arquitetura capaz de gerar projetos para órgãos públicos e ajudar iniciativa privada em soluções para a construção de habitações populares.

O curso de Arquitetura e Urbanismo inicia em março para 50 alunos em duas turmas. Já foram selecionados 11 professores, todos com doutorado, e o Vestibular encerrado.  A UERJ já antecipou que o curso terá intercâmbios com universidades internacionais e o curso nasce com diferencial no país por sua proposta curricular com ênfase na topografia da Região Serrana. O escritório modelo se soma a este diferencial, proposta de integração com a comunidade como forma de prevenção em desastres.

O escritório modelo vai atuar a partir do primeiro dia de funcionamento do campus. “A palavra de ordem é interatividade. O escritório vai interagir com a comunidade, com o poder público. A prestação de serviços cumpre a finalidade de aplicar o que se estuda ao mesmo tempo em que serve à comunidade de Petrópolis”, afirma o diretor do campus, Fred Van Camp.

Um dos primeiros órgãos públicos a utilizar a expertise do escritório moelo é a Secretaria de Estado de Habitação. “O curso de Arquitetura está focado nas características topográficas da serra. Queremos que o corpo docente e alunos apresentem projetos experimentais que podem ser refletidos para toda a Região Serrana”, aponta o secretário de Estado de Habitação, Bernardo Rossi, frisando ainda que a pasta trabalha com prevenção e conservação de moradias já existentes. “São duas vertentes dentro da política habitacional do estado que estamos enfatizando pelo poder de abrangência e de benefícios”.

O curso de Arquitetura e Urbanismo no campus Petrópolis tem dimensão social diferenciada porque inclui as premissas de restauro, reuso e revitalização; geotecnia e urbanismo e habitação social. O curso é considerado pioneiro no país por estas características.

 “Todos os professores-doutores, em suas áreas, são profissionais com conhecimento excepcional. Nossa cidade precisa e vai poder usar este conhecimento para tirar comunidades de área de risco e garantir que novas construções populares – de iniciativa pública ou das próprias famílias – sejam seguras”, aponta Bernardo Rossi.

 A ocupação desordenada, muitas das vezes incentivada pelo poder público e décadas de inexistência de programa habitacional popular resultaram nas dezenas de áreas de risco e mais de 15 mil moradias em situação vulnerável. “O desafio é reduzir estes números e ao mesmo tempo garantir que as construções de novas habitações sejam seguras”, aponta Bernardo Rossi.

Hoje, o governo do estado, com compra assistida e indenizações, retirou 489 famílias de locais de risco. Mais 168 famílias do Vale do Cuiabá e região já iniciaram negociações para indenizações e outras 272 do Morin, onde se realiza o Morar Seguro, também de indenizações e compra assistida, já estão cadastrados.  No Morin, 39 famílias já receberam indenizações e compraram novas casas em áreas seguras, investimento do governo do estado de R$ 3,6 milhões. “Estes programas, da Habitação, Obras e Ambiente, vão continuar, mas é necessário ações conjuntas em todas as áreas, principalmente em prevenção e infraestrutura”, completa Bernardo Rossi.

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