segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Quantas casas precisarão descer às encostas até que algo seja feito?



foto: Jornal do Brasil 2013 - Acompanhada pelo governador Sérgio Cabral e pelo prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, a presidente Dilma Rousseff participou de uma missa em memória das 33 vítimas dos deslizamentos.

Na última terça (12), lembramos com muita dor e tristeza os cinco anos da tragédia que matou mais de 900 pessoas na Região Serrana do Rio em 2011. A data foi tema de reportagens em rede nacional e um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

Dias depois, mais uma enchente atingiu diversas cidades, entre elas, Petrópolis, RJ, onde o já castigado e abandonado Vale do Cuiabá, tornou-se mais uma vez, uma das vítimas das chuvas.

Segundo a Defesa Civil, no município, desde sexta-feira (15), foram registradas 367 ocorrências de deslizamentos, alagamentos e inundações – a maioria nos distritos. Não houve vítimas ou feridos. Ao todo, foram 40 imóveis interditados, por não oferecer segurança para os moradores. São 152 desalojados, que foram para casa de parentes. 

Desastre da administração pública

Cinco anos após a maior catástrofe natural brasileira, Petrópolis ainda não estava preparada para enfrentar enchentes, inundações e deslizamentos. Como resultado: Comunidades inteiras isoladas, sem água e luz, como você pode conferir nos depoimentos e fotos enviadas por leitores através da nossa fanpage

Não pense que a função deste post é apresentar um culpado, mas é simples entender que aqueles que estiveram – e alguns ainda estão – no poder, seja no governo federal, estadual e municipal, falharam! 

Acompanhei as publicações de alguns cabos eleitorais afirmando que tudo não passa de uma tragédia que jamais poderia ser prevista. Será? “A quantidade de água que cai do céu não é culpa do político.” #sóquenão 

Há quantas décadas somos vítimas das chuvas? Quanto dos orçamentos dos três poderes foi destinado para obras de habitação, contenção de encostas e medidas para evitar a repetição da matança? É impossível publicar esses números! 

Em minha opinião, a guerra entre os poderes que já prejudica Petrópolis na área da saúde não permite a qualquer jornalista sério, sob pena de perder sua credibilidade, confiar em informações sem a comprovação por documentos. 

O que as cidades têm de concreto para encarar as chuvas são planos de emergência e, em alguns pontos, sirenes para avisar quando o desastre é iminente. Ou seja: ao longo de cinco anos, tudo o que os governantes têm para oferecer é um aviso de que bairros inteiros podem rolar encosta abaixo. 

O problema é que, ainda se acredita em providências mais orientadas para a repercussão de mídia do que para a solução do problema. Lembro-me que em 2011, a presidente Dilma ao lado do governador Cabral anunciaram R$ 780 milhões para Região. Quanto desse dinheiro chegou? De 2011 até agora, quanto dos bilhões arrecadados pela Prefeitura de Petrópolis, nestes cinco anos, foram destinados para amenizar o sofrimento da população e a diminuir os riscos de uma nova tragédia? 

Será uma missão impossível mapear, projetar e executar obras de habitação e contenção de encostas? São muitas as perguntas, mas neste momento, talvez um fato mereça ser lembrado. Desta vez, apesar do prejuízo material, não perdemos vidas. 

Fica mais uma dura lição, precisamos estar preparados para responder à altura em uma situação de grande catástrofe. Quantas casas ainda precisarão descer às encostas até que este assunto seja tratado de um modo menos midiático? Ações concretas resolvem problemas, união nos faz avançar, a própria população precisa entender que, sem pressão, continuaremos neste carrossel de tragédias. 

Este post representa a minha opinião sobre os acontecimentos citados. 

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