quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Prefeito não comparece a Audiência Pública da Saúde e população cobra respostas do Secretário de Saúde



Não posso comentar sobre a Audiência Pública de ontem (25.11), na Câmara Municipal sem definir com apenas uma frase tudo que aconteceu. “50 tons de cinza”. 

Vai lendo que você vai entender. 

Acredito que meus leitores já perceberam minhas ressalvas em relação ao atual governo, mas sempre deixei clara minha admiração pela capacidade de articulação política do prefeito Rubens Bomtempo, em minha modesta opinião, superada apenas pelo ex-prefeito Paulo Rattes. 

No entanto, analisando politicamente, ontem senti algo muito próximo de pena do governo. Bem diferente da habitual repulsa. 

A Audiência Pública sobre a situação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) deveria ser a cereja do bolo de ações, em minha opinião, minimamente planejadas para colocar na conta do Estado o caos na saúde em Petrópolis. 

Na verdade, a situação de atraso nos repasses da UPAs não é nova. No governo do ex-prefeito Paulo Mustrangi aconteceu o mesmo e a Prefeitura custeou as unidades por muitos meses sem fazer carnaval. Opa, por falar em carnaval...

Representantes do governo “baixaram” na Câmara Municipal aos montes, os funcionários das UPAs também compareceram, mas o governo só não contava com uma coisa: O presidente da casa, vereador Paulo Igor estava inspirado e logo no início da Audiência não deu ao líder do governo, vereador Thiago Damaceno, o comando do que deveria ser a oportunidade de mais uma capa nos jornais. 

De maneira firme, após ser pressionado pelo líder do governo, Paulo Igor disse não com a maior frieza do mundo. Nos corredores o “fora” parecia um gol do Brasil, pessoalmente quase cai da cadeira. 

A falta de conhecimento do regimento interno da casa em sintonia com a já conhecida falta de habilidade política do líder do governo destruiu a estratégia da equipe de comissionados presente na Audiência. E mais...

O governo não contava com a presença de pessoas desesperadas pelo caos na saúde aguardando atendimento na parte que cabe ao município. Uma senhora que esperava há quatro anos por atendimento deixou o Secretário de Saúde André Pombo em uma saia justa daquelas. 

O governo, despreparado para falar sobre a sua parte da crise, não soube responder perguntas como: Onde foram gastos os três milhões referentes ao cancelamento dos carnavais de 2013, 2014 e 2015 que seriam investidos na saúde?

Por que o governo não usa o dinheiro do carnaval para pagar os salários dos funcionários das UPAs?
Qual o tamanho da dívida do município na saúde? 

A crise do estado não afetou apenas os repasses para as UPAs de Petrópolis, em diversas cidades as prefeituras estão assumindo as unidades ou até municipalizando. Se o governo do estado não repassar verbas, com um orçamento que pode chegar a R$309 milhões em 2016 – apenas para saúde – o prefeito vai permitir o fechamento das UPAs por uma dívida que não chega a R$6 milhões? 

Quanto custa manter as UPAs abertas? 

É justo o governo continuar gastando dinheiro com obras no Alcides Carneiro enquanto falta pessoal para atendimento e dinheiro para pagar os salários da estrutura que já existe e não funciona bem?

Perguntas que “bombardearam” o Secretário de Saúde que na ausência do prefeito, foi obrigado a engolir afirmações sobre a crise no Hospital Municipal Nelson de Sá Éarp (HMNSE) e no Pronto Socorro do Alto da Serra de responsabilidade do governo municipal. 

Sem dados, sem resposta, sem apoio ou autoridade para apontar uma solução, os representantes do governo ainda contaram com a desesperada tentativa de um pequeno grupo de cargos comissionados do governo (não todos), que tentou vaiar quem criticava a atual gestão. O desespero próximo às eleições 2016 ficou claro, se não é possível resolver a crise, melhor transferir a culpa. Mas a população petropolitana sabe que papel aceita qualquer coisa, temos que cobrar do estado sua responsabilidade e ter a mesma postura em relação ao município. 

Trapalhadas e incompetência a parte, quem esteve na Audiência Pública saiu de lá com uma certeza: Quem paga pelos desentendimentos entre os poderes é a população que fica sem atendimento e os funcionários que ficam sem seus salários. 

Ninguém suporta mais o “circo” montado para evidenciar culpados por uma crise onde todos os políticos da cidade são responsáveis. Nosso herói será aquele que apresentar uma solução. 

O resto é conversa para ganhar ou tirar votos. 

Sobre a Audiência, nada de fato foi decidido ou explicado, mas o tiro no pé do governo lembrou muito o livro “50 tons de cinza”, foi uma f... daquelas. Hoje veremos os efeitos colaterais na sessão da CMP. 

O espaço esta aberto para nota oficial de todos os citados.

foto: José Paulo/Ascom

Um comentário:

Maria Carmen Werneck disse...

QUALQUER OBSERVAÇÃO UM POUCO MAIS CUIDADOSA VAI DAR CONTA DE QUE A GRANDE MAIORIA DOS ATENDIMENTOS QUE ENGROSSAM AS FILAS DAS EMERGENCIAS, INCLUINDO OS PRONTO SOCORROS DO BINGEN E DO ALTO DA SERRA (SUGIRO UMA BREVE PESQUISA DE APENAS UM DIA), TERIAM SIDO RESOLVIDOS NAS UNIDADES DE PSF E POSTOS DE BAIRROS E COMUNIDADES, SE ESSAS FIZESSEM O SEU REAL PAPEL DE MANTER AS PORTAS ABERTAS PARA DEMANDA ESPONTANEA DE SEUS USUÁRIOS...O PROBLEMA É QUE SE TRANSFORMARAM EM LOCAIS RESTRITOS A EXECUÇÃO DE PROGRAMAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, QUE INCLUEM REUNIÕES DE EQUIPE, SEM FIM, MARCAÇÕES DE CONSULTAS ELETIVAS, ENCONTROS DE GRUPOS PARA DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS, MENSALMENTE, ONDE SE REPETEM SEMPRE AS MESMAS PALESTRAS, E REUNIÕES, E MAIS REUNIÕES, E MAIS TREINAMENTOS, QUE INSISTEM EM MANTER OS POSTOS FECHADOS (QUALQUER PESQUISA MOSTRARÁ ISSO), E A POPULAÇÃO SEM ACESSO PARA RESOLVER SEUS PROBLEMAS MAIS BÁSICOS DE SAÚDE, OCASIONAIS, COMO DIARRÉIAS, CEFALÉIAS, SANGRAMENTOS OCASIONAIS, CURATIVOS E OUTRAS TANTAS MAZELAS QUE ACABAM POR LEVÁ-LOS AS PORTAS DAS EMERGENCIAS, ENCARECENDO OS SERVIÇOS E CAUSANDO O CAOS... O GOVERNO PRECISA FAZER OS POSTOS TRABALHAREM EM HORÁRIO INTEGRAL, DE PORTAS ABERTAS, DEMANDAS ESPONTANEAS...AÍ VÃO ATENDER NAS EMERGENCIAS AS VERDADEIRAS EMERGENCIAS...SOU ENFERMEIRA, TRABALHO NO PRONTO SOCORRO E TENHO NO MEU CURRÍCULO 06 ANOS DE PSF EXERCIDO NA COMUNIDADE DO VALE DO CUIABÁ...PENSE NA EXECUÇÃO DE UMA PESQUISA...O RESULTADO SERÁ ÓBVIO...GRATA PELO ESPAÇO...MARIA CARMEN