Ampliação de áreas urbanas: para produtores da Posse preservação de nascentes é essencial


A preservação das nascentes e mananciais precisa estar garantida em mudanças do zoneamento urbano da cidade apontam os produtores rurais da Posse que preevem escassez de água no distrito se houver adensamento populacional. A questão foi colocada em pauta em audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores na noite desta segunda-feira (23.11) no próprio distrito. A reunião foi convocada pelos vereadores para debater O comprometimento de nascentes e mananciais de água e o risco de adensamento populacional que também o projeto da prefeitura que prevê a ampliação de áreas urbanas sobre zonas rurais da cidade. Com 264 produtores cadastrados somente no Brejal, a região  é responsável por parte significativa da produção de legumes, verduras e hortaliças da cidade.

 “Os produtores rurais da Posse estão muito preocupados com este projeto, pois a urbanização pode causar danos irreversíveis ao meio ambiente. A preservação da água, por exemplo, é essencial para a produção rural e para toda a cidade e deve esta acima da questão da arrecadação de impostos. Entendemos que a arrecadação de IPTU é importante para os cofres do município, mas precisamos levar em conta o impacto da urbanização das áreas rurais, vai mudar as características da região e pode causar um desastre ambiental”, aponta a presidente da Associação dos Produtores Rurais do Brejal Angela Katsumotto.

A audiência desta segunda-feira encerrou o ciclo de debates itinerantes, realizado também com produtores rurais de Itaipava, Caxambu e Bonfim.  “Desde o mês passado estamos percorrendo as áreas rurais, apresentando e discutindo este projeto com os produtores. Muitas questões foram levantadas nestas reuniões. As sugestões apresentadas irão nortear emendas que a Câmara vai apresentar ao projeto. Muito já foi discutido, mas ainda existem  pontos a serem esclarecidos, como por exemplo, se todas as áreas rurais da cidade estão de fato contempladas no mapeamento. Para que isso seja feito com cuidado estamos agendando uma reunião no dia 30 com a presença de representantes das nove associações de produtores existentes na cidade, do sindicado dos produtores rurais, das Secretarias de Agricultura e Planejamento, da APA-Petrópolis, do Comitê do Piabanha, enfim, todos os envolvidos nesta questão”, anunciou o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor (PMDB).

“O objetivo é esclarecer todas as dúvidas nesta reunião do dia 30  e pontuar as áreas rurais no mapa apresentado pelo município, para que na audiência pública do dia 2 de dezembro no plenário da Câmara, já tenhamos as propostas  de emendas definidas e alinhadas com os interesses dos produtores rurais”, completa o presidente da Comissão Especial do plano diretor, Silmar Fortes (PMDB). Petrópolis tem cerca de 800 produtores rurais cadastrados pela Secretaria Municipal de Agricultura. A produção rural da cidade movimenta cerca de R$ 2 milhões.

“É muito importante que a Câmara esteja abrindo este debate, pois se este projeto for aprovado tal qual foi elaborado pela prefeitura, Petrópolis vai sucumbir. A cidade não tem como se sustentar se as nascentes e mananciais não forem preservados. A preservação da água é uma prioridade em todo o mundo. É muito importante que a Câmara esteja disposta a debater este assunto”, completa Maria Cristina de Faria, que tem uma produção de pimenta em sua propriedade na localidade de Rio Bonito.

“Minha principal preocupação ao ver este projeto foi a preservação das áreas rurais do Brejal e do Taquaril, que não estavam no mapa original encaminhado pelo Executivo. A Câmara discutiu isso desde o primeiro momento, o Executivo acatou as alterações propostas, mas a participação dos produtores neste debate é fundamental”, considera o vereador Ronaldo Ramos. Ao lado do também vereador dos distritos, Maurinho Branco (SDD), ele  lembra que o distrito também vem ficando conhecido pelo turismo rural.

A região também se destaca pela produção de orgânicos, comercializados na cidade e em feiras livres na capital. Dentre os 264 produtores do Brejal, 40 se dedicam exclusivamente à produção de orgânicos.  Com uma produção mensal de mais de um milhão de mudas de verduras e hortaliças, o produtor  Augusto Katsumotto, lembra que não só o volume, mas também a qualidade da água é essencial para a produção de orgânicos.  “A água para a irrigação de orgânicos certificado, como os que produzimos precisa ser limpa.  A irrigação precisa ser feita de cinco a seis vezes por dia. O risco de impacto na produção de água nos preocupa, pois hoje já enfrentamos problemas por conta da estiagem. Em setembro, por exemplo, por causa da estiagem precisamos reduzir a irrigação pela metade”, conta o produtor que comercializa por semana uma média de mil bandejas de mudas, cada uma delas contendo cerca de 280 mudas de verduras e hortaliças. 

“Sem água a produção míngua. Este ano, por exemplo, as jabuticabeiras produziram frutos pequenos, por conta da estiagem”, lembra Roberto Climaco, que produz frutas e legumes além de hortaliças, vendidos em feiras livre na capital. .  

 Paulo Igor lembra que o projeto encaminhado à Câmara pelo Executivo em agosto, assim como o novo mapa com as delimitações de áreas rurais da cidade  está disponível no site da Câmara de Vereadores (www.cmp.rj.gov.br). “Este projeto propõe alteração que podem causar grande impacto na cidade, por isso entendemos que ele deve ser discutido com os produtores rurais e com toda sociedade petropolitana. Levamos esta discussão às zonas rurais, ouvimos muitas propostas e questionamentos. Teremos ainda duas reuniões para debater este tema. Contamos com a participação e com a contribuição da sociedade. Se entendermos que os debates ainda não foram  suficientes iremos ampliá-los”, conclui Paulo Igor.   

contribuição da sociedade. Se entendermos que os debates ainda não foram  suficientes iremos ampliá-los”, conclui Paulo Igor.