quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Morar Seguro dá nova oportunidade para famílias que viviam em área de risco



Vinte e sete anos depois de ter a casa em que morava, na Rua Otto Reimarus, no Morin, atingida pela primeira vez por uma barreira, o pedreiro Sidnei Freitas Santos, de 42 anos, deixou para trás definitivamente o imóvel onde, por três vezes, passou por momentos de tensão com a família. O passaporte para sair da antiga casa - condenada desde 1988 – foi a compra assistida do “Morar Seguro”.  O programa, que vai atender 272 famílias do bairro é pioneiro no país. Sidnei e outras cinco famílias receberam nesta quarta-feira (21.10) os valores para aquisição de novos imóveis. A entrega dos recursos foi feita pelo secretário de Estado de Habitação, Bernardo Rossi e pelo presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor. O programa, que é executado pela Secretaria de Estado do Ambiente por meio do Instituto do Meio Ambiente (Inea), totaliza 45 compras assistidas em quatro meses. O Morar Seguro é desenvolvido de forma continuada e prevê a demolição dos imóveis em risco – operação que será executada em novembro – e reflorestamento das áreas.

 “Pelo menos três vezes a nossa casa foi atingida pelas barreiras. Quando ela foi condenada, em 1988, fomos para a casa de parentes e depois moramos de aluguel por algum tempo. Com o tempo a prefeitura limpou a rua, os moradores foram voltando, e nós voltamos também, porque pagar o aluguel ficava difícil. O mesmo aconteceu em 2001. Na época ,os meus três filhos eram pequenos. Saímos no primeiro momento, mas depois de algum tempo precisamos voltar. Em 2013 veio mais um susto. Desta vez está sendo diferente. Com a compra assistida estou adquirindo uma casa em local seguro”, comemorou Sidnei após receber o cheque com a indenização pelo antigo imóvel.

Como Sidnei,  a técnica de enfermagem Maria Angélica de Jesus, que tem dois filhos, também vê na indenização pela antiga casa, uma oportunidade de recomeço. “Meu sonho é fazer uma faculdade de enfermagem. Sem ter mais a preocupação com a despesa de aluguel, no início do ano que vem poderei voltar a estudar. Estou muito feliz por receber esta indenização. Agora poderemos viver com tranqüilidade”, disse Angélica, lembrando que em 2013 a família perdeu todos os pertences destruídos pela enxurrada de lama. “Foi um susto. Uma pedra enorme rolou e por pouco não destruiu o quarto dos meus filhos. Não sobrou nada em casa. Hoje, viramos esta página e teremos uma nova vida. Estou muito satisfeita”, conta.  

A entrega de mais um lote de cheques aconteceu no salão da igreja Nossa Senhora da Glória, no Morin. As seis famílias receberam total de R$ 492 mil. Em quatro meses 45 famílias foram indenizadas, um total de R$ 3,6 milhões. Representando o secretário do Ambiente, Bernardo Rossi enfatizou o pioneirismo do programa. “O governo iniciou em Petrópolis e a meta é que seja exemplo para o país” afirmou, lembrando ainda o trabalho dos técnicos do Inea e da Secretaria de Meio Ambiente. “Importante destacar a acolhida das famílias, o acompanhamento em todo o processo e a transparência em todos os passos para que culminasse hoje com a entrega dos valores que garantem mais que uma casa nova, uma vida nova”.

 Morador do bairro, o presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor, fez questão de acompanhar a entrega. “Fico feliz pela conquista destas famílias. Conheço a realidade do Morin e a luta de muitos destes moradores. Acompanho a situação deles desde o dia da tragédia. Divido com cada um a alegria pela chegada da tranqüilidade. Vamos continuar acompanhando de perto a execução deste projeto até que todas as famílias cadastradas sejam atendidas”, garantiu.

Um comentário:

Katia Correia disse...

Bom dia Esduardo

É a primeira vez que entro no seu blog e achei muito interessante. Algumas postagens achei ótima outras nem tanto. Algumas acreditei ou não.

Minha filha morava na estrada das Arcas (Lajinha) na subida do lado da Igreja Católica, a casa dela sofreu um deslizamento (do vizinho de cima), foi condenada, demolida e até hoje desde de 2011 nenhum governante dessa cidade Imperial deu uma solução para o caso. Vive de aluguel social que não dá pra pagar um aluguel, não pode vender o terreno pois ainda se encontra embargo, não pode construir e fica por aí pulando de aluguel em aluguel. Quando aquele se torna caro ela muda para outro mais barato. Isso é vida? É isso que Petropolis nos oferece.
Kátia Correia - moradora de Pedro do Rio