Fábrica Dona Isabel, em Petrópolis, RJ, ganha projeto de revitalização e ocupação


Estudo inclui Centro de Convenções e museu têxtil

Depois de mais de 30 anos de portas fechadas, a Fábrica de Tecidos Dona Isabel pode ganhar um destino mais digno e rentável para a cidade. Por iniciativa de um grupo de empresários, um projeto foi elaborado para transformar os 66.800 m² em um complexo multiuso. Para isso, foi realizado um estudo de requalificação do local. A projeção prevê diversas atividades, tanto para o setor privado quanto para o poder público, apoiando e incrementando a Rua Teresa. Com o objetivo de viabilizar o projeto, representantes do SICOMÉRCIO – Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis, Arte (Associação da Rua Teresa) e Sindcon (Sindicato das Confecções de Petrópolis) apresentaram a ideia para o deputado Hugo Leal (PROS-RJ) nesta sexta-feira (14).

De acordo com o presidente do Sindicato das Confecções de Petrópolis, Addison Menezes, o principal objetivo é fazer uma parceria público-privada, respeitando o atual proprietário do imóvel. “Há muito tempo, discutimos questões como a do prédio da Dona Isabel. No entanto, precisávamos de um estudo, um ponto de partida. Por isso, buscamos a Firjan, que apoiou a ideia. Não se trata de tomar o imóvel, mas aproveitar o espaço para algo onde todos saiam ganhando”, afirmou, explicando que o projeto foi realizado pelo arquiteto Adriano Gomes, conselheiro da Firjan a pedido de empresários petropolitanos.

A proposta apresentada inclui, além da revitalização estética do espaço, um Centro de Convenções com arena multiuso (em uma área de 5 mil m²); um hotel business, para atender o público que frequenta a Rua Teresa (em um espaço de 12 mil m²); e um museu têxtil de 3 mil m², que iria da Rua Sá Earp até à Rua Teresa. Lojas que complementam o mix de opções do maior polo varejista da cidade, como restaurantes e cafés, também seriam instaladas, assim como  um centro de apoio ao comprador (com sanitários, guarda-volumes, áreas de descanso para motoristas de ônibus etc). Dentro do complexo, as duas ruas seriam ligadas por meio de um elevador.

Também está prevista a construção de duas ligações viárias entre as ruas Teresa e Sá Earp, que desafogariam o trânsito e facilitariam a vida dos compradores que, atualmente, só podem retornar pelo bairro Alto da Serra. A proposta também inclui a construção de um Centro Administrativo, que abrigaria órgãos públicos da Prefeitura que hoje estão espalhados pela cidade; e estacionamentos com capacidade para cerca de 600 carros e aproximadamente 150 ônibus de turismo, em uma área total de 6.400 m². Até mesmo a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), com estação na antiga fábrica, foi planejada.

O presidente do Sicomércio, Marcelo Fiorini, afirmou que este é um ponto de partida. “Tudo começa com uma ideia, uma perspectiva do que pode acontecer. A revitalização e a ocupação da Fábrica Dona Isabel dariam um gás no comércio não apenas da rua, mas de toda a cidade. Além disso, a construção de um Centro Administrativo geraria uma grande economia para os cofres do município, que hoje gasta muito com prédios alugados. A ideia seria benéfica tanto para os cidadãos, que teriam atendimento centralizado, quanto para os lojistas da rua, que passariam a contar com um público em potencial muito maior, com a chegada dos servidores e das pessoas que seriam atendidas”, declarou.

Durante o encontro, o deputado federal Hugo Leal destacou que algumas destas intervenções, como a construção do hotel business, dependem do interesse do setor privado, e não poderiam receber recursos de emendas parlamentares. No entanto, para Leal, o projeto apresentado é um avanço. “A ideia é boa. Vocês têm um diamante bruto, que gera perspectivas de negócios. Podemos viabilizar recursos, por meio de emendas parlamentares, para as áreas públicas que estão projetadas, como as praças, o Centro Administrativo, o Centro de Convenções, a arena multiuso e as ruas, após processo de desapropriação”, destacou o deputado.

O poder público municipal já manifestou apoio à proposta, de acordo com a presidente da Arte, Cláudia Pires. “Quando mostramos a ideia, a resposta da Prefeitura foi de que hoje eles não dispõem dos recursos necessários para executar todas as intervenções, mas que eles apoiariam a ideia”, ressaltou. Durante o encontro, os comerciantes garantiram que irão procurar outras lideranças políticas, sociais e empresariais para debater a proposta.

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