Morar Seguro paga R$ 3,2 milhões em indenizações a 39 famílias que tiveram casas destruídas no Morin

Negociações para mais 60 
famílias iniciam na próxima semana


Projeto vai indenizar 272 famílias do bairro

 Recomeçar a vida em um local seguro e longe das lembranças da madrugada em que teve a casa atingida por um deslizamento de pedras. Este é o objetivo do vigilante André Rodrigues, de 37 anos, e de sua esposa Josemar, 29, ao receberem do estado a indenização pelo imóvel destruído na madrugada de 18 de março de 2013. A casa onde o casal viva com o filho, que hoje tem 9 anos, ficava na Rua Otto Reymarus, no Lagoinha - área interditada após deslizamentos de pedras. Como eles, outras 38 famílias receberam nesta sexta-feira (03.07) as primeiras indenizações do programa “Morar Seguro”, inédito no país.

O programa é realizado pela Secretaria de Estado do Ambiente no âmbito do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em parceria com o Ministério das Cidades. O Morar Seguro tem verba de R$ 102 milhões – R$ 75 milhões do governo federal e o restante com a contrapartida do governo do estado – e é piloto com o objetivo de ser multiplicado no país. Além da retirada das famílias das áreas de risco, as casas são demolidas e as áreas recuperadas ambientalmente.

As primeiras indenizações, destinadas a 39 famílias, somam R$ 3,2 milhões, e foram entregues em cheques simbólicos em uma reunião realizada na Igreja Nossa Senhora da Glória, no Morin. Os valores já estão sendo depositados nas contas bancárias dos moradores. “Na próxima semana, iniciamos as negociações com mais 60 famílias de Lagoinha de um total já cadastrado de 272 casas em todo o Morin”, anunciou o secretário do Ambiente, André Corrêa, na entrega dos primeiros cheques.

Para o secretário de Estado de Habitação, Bernardo Rossi, a soma de programas estaduais envolvendo várias pastas é decisiva para reduzir o déficit habitacional em Petrópolis. “Há sintonia entre todos os órgãos sob a orientação do governador Pezão de transformar os projetos em modelo para a Região Serrana. Hoje, em regularização fundiária, indenizações, compra assistida e reforma de conjuntos populares, alcançamos mais de 20 mil famílias sendo assistidas”, afirma. O presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Igor, também participou da entrega dos primeiros cheques. “Como morador do bairro, conheço a realidade do Morin e de muitas destas famílias. Para mim, que acompanho a situação destes moradores desde o dia da tragédia, hoje é um marco para a localidade ter a realização do projeto iniciada”.

Famílias realizam sonho de reiniciar a vida em locais seguros

“Quero comprar um terreno em um local em que não haja risco e construir uma nova casa. Depois do susto que passamos, nossa prioridade é morar em um local seguro”, afirma André, um dos moradores indenizados, lembrando que na noite do deslizamento de pedras retirou dos escombros o filho, na ocasião com seis anos, que ficou soterrado. “Quando vi o quarto do meu filho destruído por uma pedra enorme, pensei que ele havia morrido, foi um alívio ver a cama dele pendurada e conseguir retirá-lo de lá com vida. Minha sogra, que morava em outra casa no mesmo terreno não sobreviveu. Quem passou pela situação que nós passamos, só quer a oportunidade de recomeçar a vida morando com segurança. Essa indenização é fundamental para isso”, conta o vigilante. André e a esposa Josemar de Paula de Lima Rodrigues moravam na Otto Reymarus há mais de 20 anos.

Aos 68 anos, a costureira Maria Lúcia Cancella, que viveu na Otto Reymarus por 18 anos e também teve a casa destruída pelo deslizamento de pedras, está buscando um novo imóvel próprio. “Na madrugada em que as pedras desceram precisamos sair de casa imediatamente. Só com a roupa do corpo. Perdemos tudo. Depois fomos para o aluguel social. Eu não tinha esperanças de receber indenização pela minha casa. O que aconteceu lá não foi culpa do governo, nem dos moradores. Foi uma erosão na montanha, um fenômeno natural, ninguém que morava ali podia imaginar que tantas pedras pudessem rolar. Graças a Deus o governo do estado está fazendo este pagamento e nos dando a oportunidade de recomeçar. Estou muito feliz por isso”, conta a costureira, que é viúva e cuida de um irmão, de 62 anos, que tem dificuldade de locomoção. “Com esta indenização já posso voltar a sonhar em ter de novo uma casa própria”, planeja.

Um dos diferenciais do Morar Seguro é que ele não só retira as famílias das áreas de risco, mas também prevê a demolição dos antigos imóveis e a recuperação ambiental das áreas, através de reflorestamento. Desta forma, as áreas não voltam a ser ocupadas e se mantém preservadas. As demolições serão iniciadas em 30 dias e em seguida começa processo de recomposição ambiental que necessita de constante manutenção para ser bem sucedido.

O secretário de Estado do Ambiente antecipou ainda que a localidade de Lopes Trovão, no Alto da Serra, será a próxima a receber o projeto. “Uma das premissas do Morar Seguro é só iniciar em outra área depois que a anterior tiver todo o programa concluído”. Para André Corrêa, é importante também frisar o cuidado com as famílias em todo o processo e que o programa, consolidado, deve ser uma meta de política de estado e não apenas de governo. “Sua continuidade deve ultrapassar os governos e deve ser acompanhado pela sociedade”, afirma.

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