quarta-feira, 17 de junho de 2015

Artigo: DEPRESSÃO



A vida é cheia de estresse, e isso significa, uma propensão a trazer frustrações e problemas insolúveis que podem levar a um estado depressivo. Mas na maior parte das vezes os sentimentos depressivos são superados e a pessoa recupera o equilíbrio emocional. A depressão passa a ser um problema quando é desproporcional. 

A depressão é um mal que acomete pessoas de diferentes idades, gêneros e culturas, mas não deve ser confundido com sentimentos passageiros de infelicidade ou desânimo que fazem parte do cotidiano. Apenas comportamentos descritos clinicamente devem  ser considerados depressivos.  
Estima-se que de 15 a 20% da população mundial tenha sofrido em algum momento da vida de episódios depressivos. 

Obviamente, todo ser humano apresenta flutuações de afeto em resposta a acontecimentos da vida cotidiana. Tais respostas podem assumir caráter inadequado, levando à ocorrência de um distúrbio afetivo como a depressão. 

Suas causas são variadas: genética, estresse, alimentação, traumas físicos e ou emocionais, dificuldades sócio afetivas, dinâmicas relacionais afetadas por problemas, uso de drogas lícitas ou ilícitas, etc.  

Sabe-se hoje que a depressão é associada a um desequilíbrio em algumas substâncias químicas no cérebro, principalmente na alteração dos níveis de serotonina, dopamina, acetilcolina, adrenalina e noradrenalina. Evidências neurobiológicas mostram uma forte relação entre depressão e ansiedade. 
BECK, criador da Psicologia cognitiva comportamental  atribui um papel fundamental ao pensamento. Afirma que “cada pessoa tem um esquema, uma forma de pensar com que foca e experimenta a vida”.  Sugere também que “existe uma alteração prévia na maneira de pensar que, precisamente, provoca o desenvolvimento da alteração do estado de ânimo”.  

Os estados depressivos apresentam uma grande riqueza no referente à variabilidade clínica. 

As crianças poucas vezes conseguem verbalizar seus estados de ânimo, manifestando suas depressões com distúrbios de apetite, isolamento social, dificuldades escolares, fadiga excessiva, dentre outros sintomas.  

Para muitos autores a característica fundamental da depressão é a tristeza, acompanhada de abatimento, insatisfação e incapacidade de reagir diante da alegria. Às vezes, associa-se ainda um comportamento instável, idéias pessimistas e negativas. O indivíduo depressivo tem dificuldade de estar em relação com o ambiente e de realizar atividades que antes lhe traziam satisfação. Tal perda de interesse manifesta-se nos âmbitos familiar, intelectual, afetivo e cognitivo, o que acaba por aumentar seu sentimento de culpa. 

Há alterações que vão desde as funções elementares até a maneira como o indivíduo percebe a si mesmo e o que o cerca. 

Em geral, há dificuldade em conciliar o sono, ocorre inquietude, pesadelos e, por vezes, interrupção, algumas horas depois de tê-lo conciliado. Também o apetite diminui em função da impossibilidade de apreciar ou sentir prazer com a comida. Em conseqüência, pode acontecer uma perda de peso. Se acompanhada da ansiedade, pode acontecer o contrário, um ganho de peso. 

O indivíduo depressivo fala pouco e, o curso de seu pensamento é cíclico e circular, ou seja, se repete numa certa ordem, girando em torno de temas recorrentes de caráter pessimista. Por vezes seu processo cognitivo sofre de bloqueios, lentidão ou perdas, que não o permitem concluir um raciocínio. 
A depressão pode levar à autocrítica exagerada e sentimento de culpa, já que, por vezes, se procura a causa do mal estar em erros cometidos. O isolamento que experimenta leva a um empobrecimento das suas relações, principalmente as familiares. Pensa ser mau companheiro e aumenta ainda mais seu sentimento de culpa. Suicídio e morte, em alguns casos, são temas recorrentes. Prende-se numa sensação de vazio, de esterilidade, pensando sempre na própria doença. 

Além de dificultar a comunicação escrita, a depressão pode comprometer também a comunicação do corpo, a forma de andar, os gestos e o ritmo. Em alguns casos a lentidão motora é um traço característico e, em outros ocorre agitação excessiva, inquietação motora. 

As queixas de diminuição de atenção, concentração e memória são freqüentes, causando graves problemas no trabalho, estudo ou atividades cotidianas. Isto porque o pensamento tem dificuldade para  centrar-se. Em alguns casos não há incapacidade para fixar a atenção, mas para manter. Fazem pequenos esforços para se concentrarem numa tarefa durante algum tempo, mas rapidamente se cansam e desistem. 

Além de pequenos esquecimentos, os problemas relacionados à memória podem ser sérios. Em geral referem-se a episódios recentes, mas também podem comprometer idéias solidamente fixadas no cérebro do indivíduo. 

Um dos traços patentes em indivíduos que sofrem de depressão é a diminuição do desejo sexual, podendo ocorrer ainda, impotência e ejaculação precoce nos homens e anorgasmia nas mulheres, ou seja, a impossibilidade de sentir orgasmo. 

O paciente depressivo preocupa-se com as suas moléstias e irradia esta preocupação. Alguns põem em primeiro plano os sintomas somáticos e, com muita dificuldade e insistência, admitem sua fragilidade emocional. Estes sintomas podem ser, além dos já mencionados, excesso de transpiração, dores de cabeça, dores nas articulações e músculos, taquicardia, vômitos, náuseas, sufocação, hipersensibilidade a ruídos e sensação de angústia. 

Há pessoas acometidas pela depressão que não manifestam tristeza porque a dissimulam com distúrbios somáticos ou ansiedade. Mas duas qualidades básicas das manifestações afetivas alteram-se, incondicionalmente:  

-A capacidade de irradiação afetiva, que nos permite transmitir de forma coerente nossas emoções. O indivíduo depressivo está voltado apenas para o pólo da tristeza. 

- A capacidade de sintonização afetiva, que nos permite mudar de estado de ânimo de acordo com o afeto que predomina no ambiente. O indivíduo depressivo é incapaz de se sintonizar com o estado de humor do outro ou de onde estiver. 

Algumas pessoas com depressão, por vezes, negam a sintomatologia psíquica, ocultam assim os seus males, levando a um tratamento errôneo. Em contrapartida, algumas doenças somáticas podem confundir-se com quadros depressivos, por isso antes de se arriscar um diagnóstico devem ser analisadas em profundidade outras alternativas possíveis. 

O tratamento para a depressão abrange medidas multidisciplinares envolvendo médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, de acordo com cada demanda específica. Em geral faz-se uso de psicoterapia, medicamentos antidepressivos e, em casos graves, hospitalização. Há bons resultados quando o tratamento envolve orientações á família. Podem ser de grande ajuda algumas terapias complementares, como acupuntura e outros.

Para muitos autores a grande maioria dos episódios depressivos têm cura, apesar de, muitas vezes o indivíduo acometido não acreditar nisto. Imagina que para seu mal não haja saída. Freqüentemente as depressões são periódicas e recorrentes, e se não se tomarem as medidas necessárias as recaídas são habituais, porém, uma vez superada a anomalia, é possível se pensar em uma boa recuperação e melhora significativa na qualidade de vida. 

Drª IVANA  BRAGA 
 PSICÓLOGA- ESPECIALISTA EM NEUROPSICOLOGIA E PSICOPEDAGOGIA
Contato e-mail : ivanabraga@hotmail.com


Um comentário:

Neusa Maria disse...

Bom dia Eduardo moro em Vitória e tenho uma irmã q mora em Correias sempre estou ai nesta cidade maravilhosa !Adoro sua cidade amo bjusss