Petropolitana encontra doador e se prepara para transplante de medula



Às vésperas de completar 33 anos, nesta terça-feira (5), a petropolitana Vivian Senna Forte se prepara pra receber talvez o maior presente de aniversário da sua vida, uma nova medula óssea. Três meses após iniciar uma campanha mobilizando a população a se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e também para encontrar um doador, a professora de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, encontrou seu par compatível. Vivian está internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde o dia 28 de abril, e se prepara para o transplante, que está marcado para a próxima sexta-feira (8).

Dois anos após vencer um câncer de mama, Vivian foi diagnosticada com outro tipo da doença, medula com transformação de mielodisplasia, que rapidamente evoluiu para leucemia. A doença impede que a medula fabrique sangue, que é sua função, e no caso dela, também tem células blastos (que são células jovens mal formadas). O diagnóstico foi confirmado em novembro do ano passado, quando ela iniciou o tratamento de leucemia mielóide aguda, quando o quadro ainda não havia evoluído para leucemia. Além de entrar para o Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme), a professora passou por ciclos de quimioterapia, enquanto aguardava o transplante.

As internações duravam um período de 20 a 30 dias, com intervalos de aproximadamente 15 dias em casa. E foi quando Vivian arrumava a mala para a terceira internação deste ano que ela recebeu a notícia de que existia um possível doador. A notícia chegou no início de abril e no dia 13 ela teve a confirmação de que ganharia uma nova medula. No dia 17, Vivian foi para o hospital, em São Paulo, onde passou dois dias fazendo exames de imagem, como eletrocardiograma, ultrasom, tomografia, entre outros, para uma avaliação pré-transplante, que serão repetidos após o procedimento.

“Desde de que soube que minhas irmãs não eram compatíveis, a Dra Luciana Conti Castilho me cadastrou no Rereme. A partir daí a busca começou. Um mês depois fui chamada para realizar novos exames. Neste momento surgiu em mim, a esperança de que o doador poderia estar chegando, uma vez que, nenhuma informação a mais foi dada. Nesse meio tempo o tratamento de quimioterapia continuou, finalizando em meados de março. A ficha começou a cair quando recebi um telefonema do hospital responsável pelo Transplante de Medula Óssea (TMO), confirmando meus dados e autorizando o transplante. Entre idas e vidas, até a confirmação definitiva ser realizada, quase fui internada para mais um ciclo de quimioterapia. Até que nesse intervalo veio a grande notícia: data de transplante já prevista para maio. A felicidade foi tamanha que não cabia em mim. Chorei muito. Claro que chorei de felicidade!”, desabafou Vivian, que aguarda ansiosa o tão esperado dia.

“E aqui estou eu, na unidade de TMO me preparando para o tão sonhado transplante. Por vários dias minhas preces se resumiram em “obrigada” e ao mesmo tempo pedindo que a pessoa compatível tivesse um enorme coração e que aceitasse ser meu par perfeito. Ela aceitou! Isso mesmo, é ela, uma moça linda que disse sim sem saber a quem. Demonstrando com essa atitude ter consciência do que é se doar em vida. Eu, marido, mãe, família, amigos e pessoas que aderiram minha campanha seremos eternamente gratos por essa moça que fará o bem sem olhar a quem. O gesto dessa moça está contribuindo para salvar minha vida, trazendo minha cura”, relatou a jovem professora.

O transplante será feito pelo hematologista Nelson Hamerschlak, que é referência no Brasil em transplante de medula óssea. Desde agosto do ano passado, quando começaram as investigações para descobrir a doença, ela é acompanhada pela hematologista, no Rio de Janeiro, que por uma decisão médica optou que o transplante fosse feito na capital paulista. Para a médica, receber a notícia do doador foi além de uma satisfação profissional, mas também pessoal.

“O prognóstico da Vivian é muito reservado. Mas ela, desde o início, teve respostas muito boas ao tratamento. Como com qualquer paciente fico muito feliz.A gente se envolve com o paciente, vibra junto com as conquistas. E a Vivian, particularmente, é uma paciente muito especial para mim. Acabamos tendo um grau de envolvimento que nunca tive com nenhum paciente. Mas eu nunca tive dúvidas de que não demoraria para que ela encontrasse um doador”, vibrou Luciana Castilho.

Procedimento

Antes de fazer o transplante, Vivian iniciou uma etapa de quatro dias de quimioterapia, que termina na terça-feira (5), para baixar novamente as taxas sanguíneas, com o objetivo de zerar a medula, para que a nova possa ser substituída. A doação pode ser feita de duas maneiras: por punção no osso da bacia, que é o caso da doadora de Vivian, e a outra, por aférese, é semelhante ao procedimento de hemodiálise, na qual uma máquina filtra as células necessárias para a medula.

A doadora vai retirar a medula um ou dois dias antes do transplante e deve ter que ficar em observação, por um dia, por causa da anestesia. No caso da Vivian, ela terá que ficar internada por mais tempo até a medula “pegar” no organismo dela, que acontece a partir do décimo dia após o procedimento e varia de acordo com cada pessoa.

Relembre o caso

Logo após descobrir que estava com câncer de medula com transformação de mielodisplasia, Vivian Senna Forte não desanimou e começou a mobilizar a população com uma campanha criada no Facebook para encontrar um doador. A página, que a cada dia registra mais compartilhamentos, já teve mais de 4 mil curtidas e as publicações já alcançaram mais de 25 mil pessoas. Nela, Vivian relata a sua história, que começou com a descoberta do câncer de mama aos 29 anos. Além de resumir como tudo aconteceu e como surgiu o novo desafio, ela posta diversas informações sobre a doação de medula e da importância para as pessoas, que assim como ela, esperam encontrar alguém compatível. O objetivo é estimular o cadastro de possíveis doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

E ela conseguiu! Amigos, parentes e moradores da sua terra natal, e até mesmo de outras cidades e país, aderiram à campanha com compartilhamentos da página e buscando hemocentros para fazer o cadastro no Redome. Diversas vans e ônibus saíram de Petrópolis em direção ao Hemorio em prol da campanha.

Como e onde se cadastrar

Para se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, o Redome, é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade gozar de boa saúde. Os possíveis doadores devem procurar um hemocentro mais próximo, onde será coletada uma amostra de sangue, de 5 a 10 ml, para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador). Os dados do doador são inseridos no cadastro e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Caso seja confirmada a compatibilidade, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

No Rio de Janeiro, além do Hemorio, que funciona todos os dias, inclusive fins de semana e feriados, das 7h às 18h, o INCA também faz a coleta de sangue. Lá, o cadastramento de doadores voluntários acontece de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento.

Andressa Canejo
Do G1 Região Serrana