Figuras conhecidas podem entrar na disputa pela prefeitura em 2016


Para a maior parcela da população mal acabou o período eleitoral, mas para quem vive e respira a política nos bastidores 2015 é o início de uma complexa partida de xadrez. Para esta primeira publicação escolhi comentar a movimentação de três figuras emblemáticas da política municipal, homens que juntos somam 20 anos de mandato a frente da Prefeitura de Petrópolis  e que direta ou indiretamente não deixaram o jogo do poder. 

Como cidadão, não é simples me despir de meus sentimentos e vaidades em relação à condução da cidade no período em que cada um esteve à frente da prefeitura, mas Leandro Sampaio, Paulo Mustrangi e Rubens Bomtempo (em ordem alfabética) ganham agora um espaço especial no melhor momento desta página desde sua criação em 2010. 

Leandro Sampaio pode entrar na 
disputa em 2016

Na última semana encontrei em Corrêas o ex-deputado Leandro Sampaio e na praça entre os jogadores de cartas e crianças brincando rapidamente começou a se formar um aglomerado de figuras conhecidas do seu reduto político, radialistas, jornalistas, líderes comunitários e claro, os bons e velhos cabos eleitorais do governo do seu maior desafeto político. 

Leandro passeou pelo mercado, cumprimentou algumas pessoas, mas nada muito expressivo, mas o detalhe interessante foi o mesmo comentário partindo de pessoas posicionadas em lados opostos da política, ‘o homem quer disputar as eleições 2016’. 

Verdade ou não, conhecendo o perfil do eleitor petropolitano onde ‘figurinha repetida completa álbum’ eu não duvido que este grande articulador político diante do desgaste do governo de seu principal rival decida participar do processo. Leandro Sampaio foi vice-prefeito de Petrópolis (1989-1992) no mandato de Paulo Monteiro Gratacós, deputado estadual (1996-1997 e 2003-2007) e prefeito de Petrópolis (1997-2000) tendo como vice-prefeito Ricardo Francisco (irmão do ex-deputado federal Roberto Jefferson). Em 2006, foi eleito deputado federal e peça fundamental em 2008 na eleição do ex-prefeito Paulo Mustrangi (PT) com quem governou por mais de três anos. Em 2010 foi candidato a deputado estadual novamente, mas desta vez não conseguiu se eleger.

E em outubro, será feita a corrida final para filiação nos partidos que cada pessoa desejar se lançar candidato. O prazo final é até um ano antes do pleito, ou seja, as trocas e as filiações partidárias podem acontecer até quatro de outubro.

Paulo Mustrangi deixa o PT e pode 
voltar ao cenário político

Para não perder o fio da meada em 1998, o sindicalista Paulo Mustrangi foi candidato a deputado estadual. Em 2000, começa uma aliança entre o PSB de Rubens Bomtempo e o seu partido, PT que indicou Márcio de Souza como vice. 

O partido elegeu dois vereadores e então Mustrangi tornou-se presidente da Câmara Municipal de Petrópolis. Em 2002, candidato a deputado estadual conseguiu a primeira suplência, mas assumiu por um curto período o mandato. Em 2004, pela primeira vez, candidato a prefeito ficou na terceira colocação, na mesma disputa Rubens Bomtempo foi reeleito e Leandro Sampaio amargou mais uma derrota na disputa pela prefeitura.

Em 2006, novamente candidato a deputado estadual, em meio aos escândalos nacionais que enfrentou o PT, Paulo Mustrangi conquistou 20 mil votos, Secretário durante o segundo mandato de Bomtempo, foi o impulso que faltava para ser eleito em 2008, com 110 mil votos. O ex-petista perdeu a reeleição com cerca de 45 mil votos e sua última participação foi na corrida por uma vaga na Alerj em 2014 quando deixou a disputa com os surpreendentes 12.203 votos. 

Na última quarta (14) o ex-prefeito me ligou para comunicar sua saída do PT e não esta descartada sua volta ao cenário político por outro partido ainda não definido.

Rubens Bomtempo é uma 
incógnita para 2016

Com a perda de Paulo Rattes, Rubens Bomtempo é em minha opinião o único político capaz de ensinar o ‘padre-nosso ao vigário’ – e isso não o torna invencível, – mas sim um adversário a ser respeitado. 

Filho do ex-prefeito e deputado estadual, Rubens Bomtempo. Iniciou a vida pública como diretor do antigo Pronto Socorro; foi vereador e primeiro secretário da Câmara. Conquistou dois mandatos como prefeito, governando Petrópolis de 2001 a 2008. Bomtempo deixou a prefeitura enfrentando duras críticas em seu segundo mandato e seguiu em direção às eleições 2010 desacreditado, mas conquistou os surpreendentes 35.957 votos na disputa para deputado estadual.

Sem muito alarde até o início da corrida eleitoral, o então ex-prefeito iniciou uma disputa considerada perdida onde enfrentou dois candidatos de partidos poderosos, PT que naquele momento governava a cidade e o país e PMDB que governava o estado. Em meio a um imbróglio que por pouco não mudou a disputa no segundo turno Bomtempo conquistou seu terceiro mandato. 

É impossível não dizer que Petrópolis vive uma crise, mas minha função aqui é pensar com a cabeça e não com o estômago, e sei que poucos homens conhecem e sabem usar a força da máquina pública como o atual prefeito, mas avalio também que seu empenho durante a corrida presidencial na coordenação da campanha dos candidatos de seu partido Eduardo Campos e depois Marina Silva tiveram um alto custo político. E por mais experiente que seja não é simples reorganizar uma cidade em apenas dois anos sem o apoio do governo federal e do governo estadual.

O PSB vai se organizar em torno de Rubens Bomtempo e uma (possível) nova candidatura à reeleição, mas vários fatores podem influenciar mesmo durante o período pré-eleitoral e mudar esses planos. No momento a única coisa que posso afirmar é que teremos pela frente a maior eleição de todos os tempos.