Quadrilha tenta aplicar golpe em aposentados de Petrópolis



Edson Cunha: Para ter direito ao benefício o interessado precisa depositar R$ 6.673

Um velho golpe que está sendo aplicado em cidades dos estados de São Paulo e do Paraná chegou recentemente a Petrópolis. Por correspondência ou por telefone quadrilhas especializadas abordam os candidatos a vítima comunicando sobre o “ressarcimento de perdas de pensão ou pecúlio” (seguro pago aos familiares de um segurado morto). Porém para ganhar o benefício o interessado tem que depositar pouco mais de R$ 6 mil. Um aposentado que pediu para não ser identificado entrou em contato com o Diário para alertar sobre a fraude.  

Tal ação segue a mesma linha de golpes igualmente conhecidos pelos brasileiros, como o do ‘bilhete premiado’, que promete prêmios financeiros altíssimos sob a condição de que o beneficiário deposite determinado valor em uma conta corrente. No caso do “ressarcimento por perdas”, o valor a ser depositado é justificado como “pagamento das custas e taxas do processo”.

O aposentado de Petrópolis identificado pelo Diário como X., recebeu recentemente uma correspondência desse tipo só que, felizmente, ele desconfiou que era um grande golpe.
- É um alerta para os aposentados e por isso procurei o jornal - contou.

O documento que ele apresentou veio em papel especial, com timbre e símbolo da Justiça, e informava que X. receberia a quantia de R$ 57.230 em três dias a contar do depósito de R$ 6.673 para o pagamento das custas para a empresa Camargo Consultoria Financeira e Jurídica, com sede em São Paulo.

Ontem à tarde o Diário entrou em contato com a empresa e a atendente informou que só podem ser ‘beneficiados’ os aposentados que receberem a correspondência.

- O senhor me passe seus dados que em 24 horas veremos no sistema se terá direito ao benefício. Caso positivo a correspondência chegará em sua residência – explicou ela ao repórter.

O aposentado ouvido pelo jornal não depositou nenhuma quantia.

Casos similares no Paraná e São Paulo

Casos similares foram constatados em Santos e também no Paraná. Em entrevista ao site Paraná Online, a Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas explica que esse golpe lança mão da estratégia de abordar vítimas em cidades fora do estado, para que o inquérito e a investigação fiquem em uma localidade longe de quem foi lesado, maquiando as estatísticas e dificultando o acompanhamento do caso. Isso colabora para que o dinheiro perdido não seja recuperado.

Já o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Paraná (Apospar), Tiago dos Santos, conta que nas duas situações em que a entidade foi procurada por esse tipo de situação, as pessoas ainda não tinham depositado qualquer valor.

- O alto valor fecha os olhos de muita gente, por isso a dica é procurar o órgão citado para ver se a informação procede ou, no caso dos aposentados que são alvos de vários tipos de golpe, procurar associações representativas – disse ele ao site, acrescentando que tudo que envolve uma ação judicial que você não moveu ou uma oferta de ressarcimento com algum depósito antecipado reúne todas as características de golpe.

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