PETRÓPOLIS / Somos reféns da chuva e dos governos.

     



Já não é novidade, mais uma vez o Rio Quitandinha, que corta a Rua Coronel Veiga, transbordou, por volta das 15h desta quinta-feira (27), e causou prejuízos aos comerciantes da região. O temporal, que começou na tarde desta quarta-feira (26) e continuou ontem, alternou entre pancadas e chuva fraca. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) decretou estado de alerta máximo para o Rio Quitandinha. Falta de energia elétrica foi registrada nos bairros Morin, Alto da Serra, Lopes Trovão e em Araras.

Será que já nos conformamos com a ideia de tragédias anunciadas?

Durante a tragédia da Região Serrana em 2011 ficou claro entre os especialistas que opinaram sobre o desastre nos grandes veículos de comunicação que a melhor solução para evitar tragédias em áreas de alto risco é a mais dura para as autoridades e moradores, as prefeituras devem remover moradores que construíram em áreas de risco.

Falando não apenas sobre a nossa cidade, nas áreas que são consideradas de risco muito alto, a remoção tem de ser de forma imediata. Nas demais, podem ser feitos planos preventivos para se conviver com o risco e, quando for o caso, realizar obras que diminuam o grau de exposição ao desastre. Embora seja desrespeitado, o Código Florestal Brasileiro já impede que se construa em terrenos cuja inclinação seja superior a 45º ou em locais acima de 1.800 m. Infelizmente tem lei que pega e tem lei que não pega.

Existem hoje poucas políticas de habitação, desta forma tragédias vão continuar acontecendo, afetando as pessoas e o meio ambiente. O sistema político brasileiro que impõe eleições a cada dois anos e oferece um mandato de quatro anos não ajuda muito, um exemplo claro mais uma vez pode ser levantado em Petrópolis.

Rubens Bomtempo, nosso atual prefeito, governou a cidade de 2000 a 2008 quando assumiu o governo seu ex-secretário de Meio Ambiente.

Entre os dois e um terceiro mandato concedido a Bomtempo que vai até 2016 teremos dezesseis anos de gestão. Políticas habitacionais sérias a médio e longo prazo foram iniciadas nesse período? Você que mora em área de risco pode enviar seu comentário sobre o assunto, mas uma coisa deve ficar clara. Qual é a participação da Câmara Municipal e da população nesse período?

É comum para esquivar-se de suas responsabilidades ouvir políticos dizendo que a situação da cidade é resultado de décadas de abandono, o que não deixa de ser verdade, mas em Petrópolis depois de tantos anos do mesmo governo temos o direito e o dever de cobrar.

Recuso-me a acreditar que nos acostumamos a enterrar nossos familiares, amigos e conterrâneos. Quando um governo não se mexe o povo deve sacudi-lo ou derruba-lo. Pense nisso.

foto: divulgação
Com informações: Defesa Civil / R7 / Diário de Petrópolis


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