Religião e corrupção esquentam debate entre Pezão e Crivella



No primeiro debate na TV do 2º turno da disputa para o governo do estado, a aliança do candidato do PRB, Marcelo Crivella, com o deputado federal Anthony Garotinho (PR) deu o mote para os ataques entre Crivella e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição. Pezão perguntou qual papel, num eventual governo de Crivella, teriam Garotinho e o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e tio de Crivella. O debate foi realizado nesta quinta-feira a noite no Teatro Oi Casagrande, na Zona Sul do Rio, e transmitido pela Band. Se no primeiro turno Pezão apanhou muito e bateu pouco, neste segundo turno ele foi mais agressivo. Já o senador Marcelo Crivella afirmou que “pior do que misturar política e religião é a mistura entre política e corrupção”. Confira os principais trechos do debate:

Pezão pergunta a Crivella: “Quais são os seus planos para o interior do Estado do Rio?”

Crivella responde: ”Acho que está faltando mais atenção ao cinturão de hortifruti, que vai de Teresópolis a Friburgo. O escoamento não é suficiente, não é viável economicamente. Estamos usando muito agrotóxico, é preciso dar mais apoio, extensão rural. No interior, nas propriedades rurais, poderíamos estar produzindo mais peixes, em cativeiro. É preciso que o governo use sua força. Nós temos pequenas propriedades no Rio, de tal maneira que precisamos da presença do estado para organizar a presença agrícola.”

Pezão faz a réplica: ”Nós saímos de 3 milhões de litros de leite para 600 milhões. Atraímos de volta a indústria leiteira. Todos os grandes laticínios estão no nosso estado. Nunca teve tanta máquina trabalhando, estamos fazendo estradas rurais. Fizemos parcerias com todo agricultor, pecuarista, dentro do nosso estado”.

Tréplica de Crivella: ”Não é pessimismo, não. Eu conversei com funcionários da nossa secretaria que disseram que as viaturas são velhas, que não há combustível. Não há SIF na nossa produção agrícola, a produção do leite é muito pequena, e a viabilidade também. O estado falhou na sua produção rural, já é de muito tempo. É preciso mudar porque nós podemos produzir muito mais.”

Crivella pergunta a Pezão: “Tenho preocupação em relação ao transporte. Vejo que o governo do senhor e do Sérgio Cabral deu muita prioridade aos ônibus. Queria saber por que não investiram em barcas, trens e VLT.

Pezão responde: “Sabemos que muito ainda pode ser feito. Pegamos o governo com quatro barcas alugadas, alugamos mais cinco. Estamos levando metrô para a Barra da Tijuca, que é chamado pelo seu aliado Garotinho  de ‘metrô de rico’, mas atende moradores da Rocinha e da Pavuna”. O peemdebista citou também o Bilhete Único, que ele chamou de “revolução”. “A maior taxa de emprego do Brasil hoje é da região metropolitana do Rio”, citou para falar da importância do projeto.

Réplica de Crivella: ”Pezão, esse discurso é o meu”. “Nós vamos fazer… esse é o meu discurso”. “Esse é o discurso da oposição”. “Você tem que falar o que você fez”. “A inflação da região metropolitana é fruto do aumento do transporte”. O candidato do PRB diz que o governo do estado aumentou as tarifas mesmo com posicionamento contrário do Tribunal de Contas. “As pessoas estão reclamando do transporte, dos trens”. Crivella criticou o “pouco investimento” em transportes na Baixada Fluminense.

Crivella é perguntado sobre o Noroeste Fluminense

Pablo Santos, professor da UFF, faz pergunta por meio do Whatsapp. “O Noroeste só representa 1,03% do PIB do estado do Rio. É uma região muito pobre. Quais são as propostas do senhor para a região?”

Crivella responde: ”O Rio de Janeiro tem uma grande vantagem que é o mercado consumidor. Importamos muitas coisas de SP e MG porque não adensamos nosso interior com investimentos”, disse o Senador. “Com planejamento que não fazemos, desmantelamos o estado”. “Não aproveitamos o potencial das nossas regiões”. O senador falou que é preciso investir no emprego das indústrias, preparando a mão de obra, com uma política de renúncia fiscal “decente”, e uma forma de atrair investidores para o Rio. “Emprego nestas pequenas cidades hoje são só em farmácias, ou para professor, mas tem que fazer concurso, e emprego no comércio, mas com salários muito baixos”, salientou o candidato.

Comentário de Pezão: ”Nós queremos explorar essa região”. “Teremos o maior porto da América do Sul, que é o Porto do Açu”. Pezão diz que os negócios podem prosperar a partir do funcionamento do porto. “Aquela é uma região que sofreu muito”. “Com esses investimentos, vamos melhorar a vida daquela região”. “É lamentável que o senhor que foi diretor de planejamento da Emop não tenha feito nada pela região”.

Pergunta via Twitter: “Queria saber quais as propostas sobre plano de carreira para os professores?”

Crivella responde: ”A educação não anda bem. Os índices não estão bons. Sei que o Pezão vai dizer que os índices estão melhorando, mas estão melhorando artificialmente. Os professores estão desmotivados, a data-base não é reajustada, ganham pouco, e isso é um tormento. O estado nunca sentou para debater com os professores um plano de cargos e salários que os motivasse. o diálogo foi péssimo, chegando até à violência.”

Pezão comenta: ”Muito triste o senhor menosprezar o trabalho dos professores e dos alunos. Saímos do 27º lugar e entrou para 24º. Vamos valorizar esses professores, tirando um dos piores salários. Hoje é o segundo do país, só perde para o Distrito Federal. A gente quer cada vez mais valorizar seus professores. Não dar gratificações, como fez o outro governo, e quando o professor se aposentava não levava essa gratificação. Queremos colocar a educação do estado em primeiro lugar. Vou fazer o ensino médio com jornada dupla, com ensino profissionalizante”.

Pezão pergunta a Crivella

“Nós temos o Renda Melhor e o Renda Melhor Jovem”. “É um avanço, pudemos investir R$ 240 milhões na vida das pessoas”. Queria saber quem vai conduzir os programas sociais do seu governo: o Garotinho ou o bispo Edir Macedo?”

Crivella responde:  ”Pezão, Pezão (alguns segundos de pausa). A minha mãe não vai mais apreciar aquele moço modesto, humilde”, alfinetou o Senador. “O Garotinho foi quem trouxe você para a capital. Seu amigo. Te orientou, te estendeu a mão…Você esteve na inauguração do Templo de Salomão, com o Bispo Macedo, foi tão cordial, tão caloroso… Não é assim que você vai ganhar a eleição. Doze anos de vida pública, nunca misturei política com religião”, rebateu Crivella. “E é natural que candidatos que lancem evangélicos, vençam e tenham representatividade no Congresso”. Crivella lembrou que o PMDB também têm evangélicos em sua legenda, e que o problema não é esse, mas a corrupção. “Vou fazer programas sociais limpos. Se eu fiz a Vila Canãa com meus recursos, imagine com os recursos do governo!”. Crivella terminou a fala alfinetando o adversário: “e os meus aliados Pezão (referindo-se a Garotinho), já foram seus companheiros, que hoje o traem!”.

Réplica de Pezão: ”O Renda Melhor e o Renda Melhor Jovem são transferidos diretamente com o cartão do Bolsa Família”. “Não tem pastor nenhum”. Pezão ataca atuação de Crivella como ministro: “colocou em cada repartição membros da Igreja Universal”.

Tréplica de Crivella: ”Tem que levar o Pezão pro divã. (…) O candidato sou eu, e não a igreja! Nós apoiamos, por exemplo, seu governador, contra a Denise Frossard. Só não apoiamos a gangue dos guardanapos. Nós apoiamos o seu governo para eleger o (Eduardo) Paes na prefeitura, contra o (Fernando) Gabeira. Temos leis que jamais vão permitir, leis que separam o Estado da igreja. O problema não é o risco de misturar política com igreja, mas de (misturar) política com corrupção”, concluiu o candidato, que foi aplaudido pelo auditório.

Pergunta via Twitter

Tema sorteado é Transporte. “Quais são os investimentos que o senhor vai fazer de transporte de trilhos no interior como forma de integrar o interior com a região metropolitana?

Pezão responde: ”Nós estamos estudando a volta do Trem Barrinha. Mas isso é muito difícil, porque aquele ramal foi concessionado, pois é um modal muito importante para a região, porque liga as cidades de Barra, Pinheiral, e liga a CSN. O ramal (é usado) para atender a industria automobilística, que liga Rezende e Itatiaia. Quero fazer um corredor “Macaé – Rio das Ostras” até a cidade de Campos. Queremos planejar e vamos deixar esses projetos com nosso querido Vicente Loureiro, que comanda nossa agência da região metropolitana, para ver o que se pode fazer sobre o transporte sobre trilhos no interior do Rio”.

Pergunta via Twitter

“Segurança pública é crucial. Como será combatida a corrupção na polícia?”

Crivella responde: ”Primeiro lugar, pelo exemplo. É fundamental que o governador tenha probidade, não esteja envolvido, não seja acusado. E, se for, que prove sua inocência imediatamente. Não pode ser refém do noticiário, nem de CPI do Congresso. A autoridade pública tem que ter a grandeza e a honradez do nosso povo. É aí que começa a segurança pública. É aí que começa a imagem que se leva a cada policial, sabendo que seu governador não está ali para se locupletar. Eu chamo a atenção porque essa atitude se irradia, é por isso que polícia vira milícia, que o Maracanã sai pelo dobro do preço, e que até a Petrobras fica suja. Sem mãos limpas, suja tudo. Segurança começa quando o estado sabe se impor, quando o governador não sai para beber com empreiteiros.”

Para conferir o debate completo, clique aqui 

* Com informações do “Globo” e da Band