Crivella justifica apoio de Garotinho e Lindbergh: ‘Não fui eu que me aliei, eles que se aliaram’



RIO - Em entrevista ao “RJ TV 2ª edição” nesta segunda-feira, o senador Marcelo Crivella (PRB), candidato ao Palácio Guanabara, defendeu a adesão dos novos aliados Anthony Garotinho (PR) e Lindbergh Farias (PT) à sua candidatura, e criticou o escândalo que se instalou na Petrobras. As denúncias atingem em cheio o governo da presidente Dilma Rousseff, aliada do senador, e também respingaram em Lindbergh. Segundo Crivella, porém, “apoio não se nega”.

— Apoio você não pode negar. Apoio não significa interferência no governo, mudança de rumo nem de valores. Significa que aquele que está te apoiando adere à sua causa, e a nossa causa é derrotar o governo que está aí, que já causou milhões de prejuízo ao erário — afirmou, dizendo ainda que o petista, se soubesse do envolvimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, em escândalos, não teria pedido sua ajuda para a campanha:

— Lindbergh, quando pediu apoio do diretor da Petrobras, nem sabia que ele estaria envolvido nesse esquema. Foi uma surpresa para todos nós, nunca imaginamos que a Petrobras estivesse envolvida em um escândalo de tal vulto. Se (Lindbergh) soubesse, jamais teria pedido a ele que o ajudasse a levantar recursos ou em plano de campanha. Lindbergh é uma figura importante, foi bem votado e espero que, com o apoio dele, do Garotinho e de outras forças políticas, a gente possa derrotar esse governo.

Sobre o governo de Garotinho e de sua sucessora, a atual prefeita de Campos Rosinha Garotinho (PR), Crivella exaltou aspectos positivos das gestões do casal, mas deixou claro que seu interesse é nos 1,5 milhão de votos que o candidato derrotado obteve no primeiro turno:

— Não fui eu que me aliei, eles que se aliaram. Há coisas positivas no governo deles, e essas podemos aprimorar. O cuidado com os pobres era um coisa característica deles, coisa que a gente não via na índole do governo Sérgio Cabral. Mais de 1,5 milhão de pessoas votaram no governador Garotinho e na Rosinha. O apoio que ele teve nas urnas foi determinante para que tivéssemos o apoio deles. Não é Garotinho e Rosinha, são os 1,5 milhão de fluminenses que votaram neles — declarou.

CRIVELLA VOLTA A DEFENDER UPPS

Questionado sobre as críticas de Garotinho às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o ex-ministro da Pesca deixou claro que dará continuidade ao projeto de segurança pública promovido por Cabral e Pezão. E afirmou que “nem Garotinho e nem ninguém” vai demovê-lo da ideia:

— A UPP é uma conquista nossa, nem Garotinho e nem ninguém vai me demover de continuar essa política. Vamos aperfeiçoá-la, ela foi expandida por ambições eleitorais colocando em risco os policiais — criticou, mandando um recado aos traficantes do estado:

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— Cada vez que vocês matarem um de nós, dez outros vão se levantar, depois mais dez. Não permitiremos que nosso povo seja dominado por traficantes, nosso povo será livre como todos que vivem no asfalto.

Crivella voltou a dizer que, ao contrário de seus aliados, não recebeu nenhuma doação de empresas. E reafirmou que, caso eleito, a prioridade número 1 será acabar com a falta d’água na Baixada Fluminense, ainda que não tenha priorizado a região em seu mandato como senador.

— Como governador é a (prioridade) número 1, como senador não podia olhar só pela Baixada. Mas coloquei tanto R$ 10 milhões para Caxias como R$ 20 milhões para o bairro Roseiral, em Belford Roxo. R$ 30 milhões para a Baixada para água e saneamento é mais do que qualquer outro senador tenha feito.

Com informações do jornal O Globo