quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A vitória da derrota

Recomendo a leitura deste excelente artigo publicado pelo jornal Tribuna de Petrópolis de Ramon Mello liderança tucana que figura entre os mais qualificados para o processo de renovação da política petropolitana que 2016 promete oferecer. 



Nesse momento em que o Brasil acorda completamente dividido após a abertura das urnas, cabe aqui uma simples constatação, o quão importante poderá ser a figura dos derrotados. Sobre os vitoriosos, suas palavras serão sempre lembradas. Seus feitos, realçados. Sua versão, tende a se perenizar. O sorriso do orgulho sempre estará na face, tantas vezes, antes mesmo de vencerem. E nem sempre se pergunta que vitória foi esta que obtiveram. Será a vitória do Rei Pirro, que bateu os romanos na Batalha de Heracleia (280 A.C.) e olhando desconsolado para suas tropas destroçadas, disse que “outra vitória como aquela o arruinaria”? Será a vitória do Marechal Pétain, que ocupou o poder numa França que sofreu com os nazistas, traindo o melhor de sua gente? Pois existem vitórias que elevam o ser humano e outras que o rebaixa. Vitórias da esperança e vitórias de desalento. E, tantas vezes, é entre os derrotados, os que perderam, os que não conseguiram, que o espírito humano mais se mostra elevado, que a política renasce, que sociedade progride.

O que não falta no nosso Brasil são belos exemplos de “derrotas exemplares”. Sobre um grande herói brasileiro, um mineiro, Tiradentes – que é um perdedor, pois a Conjuração Mineira não venceu, naquele momento, não foram suficientes as partes de seu corpo deixadas na via pública, ao longo do caminho de Vila Rica, de o impedir de ser um brasileiro imortal. Outro grande brasileiro, Ulisses Guimarães, anticandidato, lançado em 1973 pelo então MDB, tendo como vice-anticandidato Barbosa Lima Sobrinho. “Vou percorrer o país como anticandidato”, disse Ulysses, para denunciar a “anti-eleição”, do regime militar. Ulysses Gumarães foi um grande perdedor, será sempre um grande brasileiro.

O que dizer da Emenda Dante de Oliveira, o movimento Diretas Já, que contou com grande participação popular no ano de 1984, cujo objetivo era o reestabelecimento das eleições diretas para presidente da República no Brasil. A emenda foi derrotada, no entanto, foi o primeiro grande passo para a eleição de Tancredo Neves para a presidência do Brasil, ainda de forma indireta.

Aécio Neves combateu o bom combate, lutou com dignidade contra os mais baixos ataques. Se manteve sempre sereno e firme ao propor um novo Brasil. Infelizmente perdeu. Porém, caberá essa derrota nos motivar para continuar essa verdadeira peregrinação. Acredito na motivação dos mais de 50 milhões de brasileiros que querem que o Brasil mude. Continuemos vigilantes. Uni-vos! Não podemos desistir. 

ramonmello45@gmail.com

Ramon Mello
Secretário do PSDB Petrópolis

Artigo publicado pelo jornal Tribuna de Petrópolis

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