sábado, 23 de agosto de 2014

Nova pista da serra: comissão da Alerj quer garantias de cumprimento de prazo e redução de impacto nas áreas urbanas


A redução do número de famílias da Duarte da Silveira a serem removidas– que pode ser limitada a 13 casas desapropriadas para o desemboque do fluxo de veículos oriundos da BR-040 – e o prazo de conclusão das obras da nova pista de subida da serra foram o foco da vistoria, nesta sexta-feira (22.08), feita pela Comissão Especial instituída pela Assembleia Legislativa  do Rio (Alerj) para acompanhar as intervenções. Os deputados Bernardo Rossi (PMDB) e Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) vistoriaram vários trechos de obras incluindo a escavação do túnel.

“O objetivo  da comissão é garantir que a nova pista, um anseio, um sonho de nossa cidade, não vire um pesadelo. Estamos cobrando da concessionária e do poder público garantias de redução de impacto, tanto com aumento quanto de redução de fluxo no Bingen e Quutandinha, bairros que terão conseqüências diretas com o novo traçado de entrada da cidade”, afirma Bernardo Rossi, presidente da Comissão.

Engenheiro de formação, Luiz Paulo Corrêa da Rocha que já analisou o projeto geométrico da obra, ao analisar as intervenções, in loco, atestou que elas  estão cumprindo o estipulado. Ainda assim, a preocupação é com os prazos de execução. “Esta fase inicial ainda não tem 20% de conclusão, mas as etapas seguintes serão mais fáceis de executar e podem garantir o período de conclusão estimado”, afirmou. Pedro Jonsson, presidente da Concer, que conduziu a comissão na vistoria, garante a conclusão em 2016, com a possibilidade de a obra ser entregue em junho, dois meses ates do prazo previsto. “São duas mil pessoas envolvidas direta e indiretamente e somente fatores climáticos desfavoráveis e continuados podem atrasar a obra”, afirma.

Os deputados estiveram em trechos escavados em túneis transversais  ao principal, de cinco quilômetros, que servirão de acessos à estrutura que será a maior do país. “A obra é grandiosa, mas nossa preocupação é que ela cumpra a sua função de atender ao usuário em especial ao petropolitano que desde o início da concessão é o maior prejudicado com um pedágio alto e sem a contrapartida esperada”, aponta Bernardo Rossi.

A nova pista está sendo construída com aporte do governo federal na ordem de R$ 750 milhões. O aditivo do contrato é um dos documentos solicitados pela Comissão à Concer e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em função do atrelamento do período de concessão ao atraso de uma das três parcelas de recursos oriundos da União e que serão empregadas na obra. 

“Queremos a garantia da execução da obra sem que haja a prorrogação de contrato e sem reajuste de pedágio”, afirma Bernardo Rossi.    O reajuste em vigor desde quarta-feira com pedágio a R$ 9 também está sendo questionado pela Comissão. “Não há obras na pista atual que justifiquem a majoração de 12,5%. O Tribunal de Contas da União (TCU) recebeu denúncia do deputado federal Hugo Leal, mas desde 2010 o próprio órgão já havia indicado a redução da tarifa. Este item fará parte do relatório final da Comissão que está analisando as medidas legais para reverter a situação”, afirma Bernardo Rossi.

Moradores da Duarte da Silveira têm reunião com a Concer na terça-feira

O número de casas a serem removidas na Duarte da Silveira onde a estrada vai desembocar no Bingen pode  ser reduzido para 13 moradias. Uma comissão de moradores do bairro vai ser recebida pelo presidente da Concer, Pedro Jonsson, na terça-feira, às 10h.  O encontro foi intermediado pela Comissão Especial da Alerj.
“Os moradores não têm informações precisas de indenizações e de prazos. São famílias que residem há três, quatro décadas no local e não podem ser removidas de uma hora para outra sem o mínimo de assistência. Esta reunião vai dar este suporte e a Comissão vai acompanhar todo esse processo junto com a comunidade”, afirma Bernardo Rossi.

Comissão quer redução de impacto no Bingen e Quitandinha

Um ano depois iniciadas as obras da construção da nova pista de subida da serra o projeto,  os 20 quilômetros de estrada ao custo de R$ 1,1 bilhão têm a previsão de estarem prontos em 18 de junho de 2016, dez anos depois do prazo contratual de conclusão da obra. Bernardo Rossi e Luiz Paulo Corrêa da Rocha estão preocupados com o impacto na área urbana do Bingen e o possível declínio do Quitandinha com a transferência entre os bairros do maior fluxo de veículos que chegam à cidade pela estrada, principal acesso à Petrópolis.

“Não estamos focados apenas nos 22 meses de prazo para a conclusão da obra antes das Olimpíadas. Nossa discussão também é referente à ligação Bingen-Quitadinha que seria antecipada não foi iniciada; moradores do Bingen que devem ter de deixar suas casas e a falta de um estudo do impacto urbano no Bingen que passa a receber maior fluxo do tráfego”, aponta Bernardo. “A conclusão do trabalho da Comissão vai estar baseada em todas essas áreas, mas já indicamos, antecipadamente, que a concessionária e a União precisam se envolver e interagir de forma contundente junto aos petropolitanos”, completa Luiz Paulo.

Via ASCOM

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