Jorge Picciani vai disputar vaga na Assembleia Legislativa do Rio



O presidente regional do PMDB do Rio, Jorge Picciani, decidiu concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa nas próximas eleições, em outubro, e já fala em voltar a presidir a Casa a partir de 2015. Presidente da Alerj entre 2003 e 2010, Picciani afirmou que um dos objetivos da candidatura é fortalecer sua família para a briga com o PMDB nacional. Seu filho, Rafael Picciani, hoje deputado estadual pelo PMDB, também vai tentar a reeleição.

Há duas semanas, Picciani lançou a chapa informal Aezão, entrando em colisão com a decisão nacional do partido de apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). O Aezão prega o voto em Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador e Aécio Neves (PSDB) para presidente.

— Vamos por causa dessa briga com o PMDB nacional, ficar sem mandato seria ruim — afirmou, em entrevista ao EXTRA.

Pai e filho já fatiaram o estado para definir quem vai fazer campanha em qual lugar. Rafael Picciani pedirá votos na capital, na Região dos Lagos, no Norte e no Noroeste Fluminense. Nas demais regiões, a campanha será de Jorge.

Entre idas e vindas, Picciani vinha amadurecendo a ideia de candidatar-se à Assembleia do Rio desde o começo do ano. O crescimento lento da candidatura à reeleição de Luiz Fernando Pezão (PMDB) ao Palácio Guanabara e a possibilidade de vitória de dois de seus principais adversários políticos — Anthony Garotinho (PR) e Lindbergh Farias (PT) — foram elementos levados em consideração na decisão.

Mas o fator fundamental foi o acirramento da disputa com o vice-presidente Michel Temer e o presidente nacional de seu partido, o senador Valdir Raupp (RR).
— O Temer e o Raupp acusaram o golpe do Aezão. Preciso fortalecer o meu grupo.


Sobre a Presidência da Alerj, ele despista, mas, raposa que é, admite que já conversou com outros aspirantes ao cargo em 2015.

Leia abaixo a entrevista com Jorge Picciani.

Por que o senhor decidiu se candidatar à Assembleia?
Vamos ter uma eleição muito complexa aqui no Rio. O meu movimento em defesa do Aécio terá consequências. Ficar sem mandato seria muito ruim. Para manter a força política do meu grupo na eleição de prefeitos, preciso me candidatar. Um grupo grande começou a defender que eu fosse candidato.

O senhor continuará coordenador da campanha de reeleição do governador Luiz Fernando Pezão ao governo do estado?
O (governador Luiz Fernando) Pezão e o (ex-governador Sérgio) Cabral ficaram um pouco preocupados com a campanha, mas disse que, todos os dias, de 7h às 9h, vou dar uma passadinha lá para ajudar a colocar a campanha na rua. Mas eu disse ao Pezão que, num eventual governo dele, a minha presença lá na Assembleia vai ser importante.

E num governo que não seja o dele?
Num governo que não fosse do PMDB, seria fundamental.
Os políticos comentam que o senhor já está pedindo voto para a sua candidatura à Presidência da Alerj, até mesmo para políticos que apoiam outros candidatos ao governo do estado.
A Presidência é consequência de vários fatores. Há que se ver o interesse do governador, temos que conversar com vários companheiros. Vamos fazer o que for melhor para o parlamento e para o estado do Rio.

Já falou com o atual presidente, Paulo Melo? Ele deve ter ficado com ciúme.
Fomos deputados durante mais de 20 anos. Há muita intriga, muita fofoca. Eu e ele não disputamos espaço. Isso é intriga. (Picciani gargalha).

Como o senhor avalia a Assembleia nesta legislatura?
O Parlamento está desmoralizado. Ao não cassar as deputadas Djanira (PSOL) e Inês Pandeló (PT), o parlamento ficou enfraquecido. Na minha gestão, a gente enfrentou os problemas.

Já está com plataforma de campanha para a Presidência da Alerj?
Tem que endurecer mais (mais gargalhadas).

Via Extra

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